As imagens do gesto em coexistence: uma leitura das mãos

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  • Publicado : 20 de março de 2011
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As imagens do gesto em Coexistence: uma leitura das mãos
Luciana Coutinho Pagliarini de Souza (UNISO)i

Resumo: Intenciona-se analisar o impacto de uma campanha de conscientização pela paz mundial – Coexistence – que se realiza por meio de exposições de outdoors fotográficos. Trazendo temas polêmicos e expondo os conflitos humanos motivadores de reflexão e comoção, as exposições têm porobjetivo transmitir a mensagem de tolerância entre os povos, atravessar barreiras lingüísticas e alcançar o efeito de consciência global pelo diálogo, e assim o fazem de maneira a criar uma nova simbologia. Recortando a representação das “mãos” como objeto de análise, buscaremos explicitar a natureza do signo produtor do impacto. Para isso, faremos uso do instrumental semiótico, de origem peirciana, afim de fundamentar essas leituras.

Palavras-chave: comunicação visual, fotografia, símbolo, Coexistence.

Abstract: We intend in this paper to analyze the impact of one campaign for the world peace realized through the exposition of outdoors. Bringing polemic themes and showing human conflicts that motivates thoughts and commotion, the exposition have as a goal to transmits the message oftolerance between different people all over the word, to cross linguistic barrels and to reach the effect of global conscious and in this process they create a new symbolic system. Analyzing the representation of hands, using the semiotic’s instruments, we will show signs that produce impact.

Key-words: visual communication; photographie; symbol, Coexistence.

1.Introdução
Coexistence é mais queum conceito e mais que uma idéia popular para nossa nova cultura global. Envolve mudar nossas vidas e modificar o modo como pensamos. Não é necessariamente aprender a viver juntos, e sim lado a lado. Raphie Edgarii

Este artigo tem como objetivo explicitar a natureza do signo produtor do impacto que a exposição Coexistence propicia com seus outdoors fotográficos. Coexistence foi inaugurada em2001 em Jerusalém, Israel, no Museum on the Steam (museu na costura). A construção metafórica que permeará nossas leituras já se faz presente a partir do nome do museu: a costura a que se refere é territorial, um diálogo que busca unir política, religião e etnia. Outro dado que dialoga com essa metáfora inicial é a localização do museu. Localizado

exatamente em uma área crítica de Jerusalém, nadivisa entre o território árabe e judeu, entre Israel e Jordânia – na frente da ponte Mandelbaum, única via entre as duas terras divididas –, ele novamente ata as duas pontas ou tenta fazer a junção dos extremos. Não é outro o espírito de Coexistence. A exposição nasceu com o intuito de promover a paz, principalmente entre os povos judeu e palestino. Desde então, já percorreu mais de 24 países,sempre com a mensagem de tolerância não só entre os dois povos, mas entre todas as diferentes raças étnicas, baseadas em valores universais. A exposição consta de painéis fotográficos – outdoors – expostos ao ar livre. No ano de 2006, Coexistence foi exposta em São Paulo, na Praça da Paz do Parque do Ibirapuera, tornando possível a contemplação de 26 painéis espalhados pelo parque. Diversosartistas plásticos, pintores e fotógrafos de diferentes nacionalidades tiveram a oportunidade de expor sobre o tema. Tomei conhecimento dessa exposição durante a orientação de um aluno de Mestrado que elaborou sua dissertação tendo como objeto essa mesma exposiçãoiii. Esse trabalho contemplava um estudo das imagens sob um viés cultural. Nesse artigo, foi feito um novo recorte no corpus de Coexistence,bem como uma nova abordagem. Optamos por três imagens que têm as mãos como referente. Mas não por acaso. As mãos tradicionalmente estiveram atadas à simbologia da união, o que não seria novidade alguma resgatá-las; contudo, nessa exposição, elas se afastam das configurações convencionais e se impõem como objeto de nova criação simbólica, impregnadas de sugestão ou de iconicidade. Justamente por se...
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