Alca

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ALCA
Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) pretende ser o maior bloco econômico do planeta, reunindo os 34 países do continente americano - que somam um Produto Interno Bruto de quase US$ 11 trilhões e mais de 808 milhões de habitantes. Só para se ter uma idéia da dimensão deste acordo, a União Européia, que demorou quase 30 anos para entrar em vigor, conta com metade da população e cercade US$ 2 trilhões a menos de PIB. Somente Cuba, por rejeição dos EUA e também por sua corajosa defesa da integridade nacional, está de fora das negociações deste tratado.

Embora a sigla trate apenas do "livre comércio", o alcance da ALCA será bem maior. Na prática, ela visa avançar na total desregulamentação das economias latino-americanas e na anulação completa do papel dos estados nacionais.Através da ALCA, os EUA pretendem impor ao hemisfério todas as regras em negociação na OMC (Organização Mundial do Comércio). Ela também seria uma extensão do Nafta - o tratado em vigor desde 1994 que inclui os Estados Unidos, o Canadá e o México. Estes dois projetos têm base nas políticas de "ajuste estrutural" dos organismos internacionais (FMI e Banco Mundial) e também nos relatóriosconfidenciais dos negociadores da ALCA.

A idéia de se formar uma área de livre comércio que envolvesse todos os países do continente americano foi levantada pela primeira vez em 1994, pelo então presidente americano George Bush. Seu sucessor, Bill Clinton, deu continuidade ao plano que culminou com uma série de reuniões e a formação de grupos de trabalho e de diretrizes que deverão fazer com que a Área deLivre Comércio das Américas (Alca) se concretize até o final de 2005, passando a vigorar em 2006. A posição brasileira é de que se atinja um equilíbrio de ganhos e concessões entre os países. Para isso, foram determinados quatro princípios negociadores:

1. Processo decisório por consenso;
2. Single undertaking ou indissolubilidade do pacote negociador;
3. Coexistência da Alca com acordosbilaterais e sub-regionais de integração e de livre comércio mais amplos ou profundos;
4. Compatibilidade da Alca com os acordos da OMC.

A ALCA se trataria, simplesmente, um “paraíso” do consumo, com o fim de qualquer restrição à circulação de mercadorias, serviços e capitais. O livre comércio para o cidadão, como consumidor, pode ser a possibilidade de comprar importados mais baratos e, porvezes, de melhor qualidade. Mas o consumidor, agora na condição de trabalhador, poderá perder o seu emprego. Os produtos importados mais baratos acarretam dificuldades para a fábrica ou empresa onde ele trabalha.

A ALCA ainda incentivaria o "livre comércio" entre as nações. Mas conforme demonstram vários estudos, é impossível existir comércio justo entre países com diferenças tão gritantes. Os EUAsozinhos, como potência hegemônica mundial, controlam quase 80% do PIB do continente. Brasil e Canadá detêm, cada um, cerca de 5%. México e Argentina aparecem em seguida, num patamar em torno de 3%. A partir daí, todos os demais países da região respondem individualmente por 1% ou menos do PIB continental. Diante de tamanha assimetria, a tendência natural é de que os EUA engulam de vez a economialatino-americana, causando falências de empresas e demissões em massa. 

Por que ela prejudicaria os países latino-americanos?

Para cada país que negocia seu ingresso no grupo, está em jogo o destino de sua economia - o resultado do acordo pode fazer seu setor produtivo naufragar ou detonar um ciclo de desenvolvimento jamais visto.

Para o Brasil não é diferente: a decisão sobre a Alca serámais importante para o futuro do país do que qualquer medida que o governo possa adotar internamente. É justamente esse o argumento usado pelos negociadores brasileiros na hora de explicar por que o país vem travando uma disputa tão acirrada com os Estados Unidos, os principais interessados no acordo - e, por conseqüência, assumindo o papel de peça chave na montagem da Alca.

Economistas...
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