A Filosofia De Santo Agostinho

Páginas: 11 (2640 palavras) Publicado: 24 de março de 2015
A filosofia de Santo Agostinho
 

 
Por Rafael Gómez Pérez
 
 
Uma  das  maiores  personalidades  da  história  universal,  Santo  Agostinho  foi  um  grande  retórico,  um
grande filósofo e um grande santo da Igreja. Sua obra, ao mesmo tempo vasta e profunda, exerceu e
exerce muita influência em toda a cultura ocidental.
 
 A sua vida, muito conhecida, torna­o inteligível também para muitos não­cristãos. Retórico, homem
do  mundo,  carnal,  fez  um  longo  esforço  para  encontrar  a  chave  da  inquietação  que  o  devorava.
Primeiro  maniqueu,  depois  platônico,  finalmente  convertido,  num  célebre  momento  que  ele  mesmo
contou com um gênio inimitável.
 
Depois  da  conversão,  e  sem  pretendê­lo,  é  ordenado  sacerdote.  Chega  ao  episcopado  da  mesmamaneira. E desde esse momento, no meio de muitas vicissitudes críticas, carrega sobre si grande parte
da responsabilidade da Igreja; assim, por exemplo, no auge da heresia de Pelágio ouem face do cisma
dos donatistas. No momento da sua morte, é todo um símbolo. Morre em Hipona quando os vândalos
sitiavam a cidade. Com ele, morre a cultura antiga e nasce outra nova. Porque Santo Agostinho foi um
homem  do  seu  tempo.  Versado em  todas  as  artes  clássicas,  foi  sempre  um  retórico  de  grande
habilidade,  jogando  com  as  palavras  num  malabarismo  que  conseguia  sempre  escapar  à
superficialidade. Diríamos que o seu pensamento é tão profundo que supera as habilidades do retórico.
 
Inicialmente, escreve filosofia, porém mais tarde dedica as suas forças à pregação, sem descuidar umaenorme correspondência. Escreve também muitos tratados teológicos, de exegese bíblica, etc.
 
Não citaremos aqui as obras teológicas; limitar­nos­emos às de caráter filosófico: Contra Acadêmicos,
crítica  do  ceticismo;  De  beata  vita,  sobre  a  felicidade;  De  ordine,  sobre  a  origem  do  mal:  os
Coliloquia,  um  apaixonado  diálogo  consigo  mesmo  sobre  a  imortalidade  da  alma;  De  immortalitate
animae; De  quantitate  animae,  sobre  a  mesma  questão;  De  magistro,  sobre  a  educação  com  um
enfoque psicológico.
 
Santo  Agostinho  não  construiu  um  sistema  filosófico  completo,  ainda  que  as  idéias  básicas  se
mantenham constantes e acusem um claro predomínio platônico. Ele mesmo nos conta que começou a
ler  uma  obra  de  Aristóteles  e  não  pôde  prosseguir.  Talvez  o  tenha afastado  o  estilo  entrecortado,
desencarnado, a falta dessa alma que Santo Agostinho buscava em tudo. Santo Agostinho não parece
feito para encerrar a realidade em categorias. A sua reflexão parte sempre da vida: das coisas que se
passam ao seu redor, das idéias dominantes, dos ataques contra a fé, da interioridade da sua alma.
 
 
A BUSCA DA VERDADE
 A filosofia agostiniana é uma constante busca da verdade, que culmina na Verdade, em Cristo. É um

movimento incessante, uma paixão, e, precisamente, a paixão principal: o amor. “Amor meus, pondus
meum”, o amor é o peso que dá sentido à minha vida. Verdade e Amor.“Fizeste­nos, Senhor, para Ti e
o nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em Ti”, diz nas Confissões.
 
Essa  “passionalidade”  da  filosofia  agostiniana  não  é  em nenhum  momento  irracionalismo  ou
voluntarismo. Se incita a ter fé para entender, também anima a entender para crer melhor. Nada nos
pode fazer duvidar da possibilidade de chegar à verdade. Nada valem os argumentos céticos. Si fallor,
sum:  se  me  engano,  é  uma  prova  de  que  sou,  diz,  antecipando­se,  num  contexto  muito  diferente,  aDescartes. E com mais clareza: “Sabes que pensas? Sei. Ergo verum est cogitare te, logo é verdade
que pensas”.
 
A verdade está no interior do homem. “Não queiras sair para fora; é no interior do homem que habita
a verdade”. E há verdades constantes, inalteráveis, para sempre. Dois mais dois serão sempre quatro.
Santo Agostinho tenta esclarecer de onde pode vir essa verdade. Não das sensações, diz, porque essas...
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