Rituais de passagem

Páginas: 15 (3739 palavras) Publicado: 16 de novembro de 2013
Ritos de passagem (ou iniciação)
Sumário
MITOS E RITOS: BREVES REFLEXÕES
RITOS DE PASSAGEM
OS RITOS DE PASSAGEM AO LONGO DA HISTÓRIA
SOCIEDADES PRIMITIVAS
RITOS DE PASSAGEM NAS DIVERSAS CULTURAS E TRADIÇÕES
A INFLUÊNCIA DAS RELIGIÕES
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Uma reflexão acerca dos diversos olhares e discursos sobre o mito e o rito, dos mais reducionistas aos mais abertos e ousados. Umaapresentação de um ritual iniciático ao cristianismo ortodoxo. Uma convocação para uma escola do olhar e da escuta, fundamentada na abordagem transdisciplinar.

I - Mito e rito: breves reflexões

O rito expressa um mito, encarnando-o. O mito é o coração do rito, sua estrutura significativa. Rito e mito são duas faces de uma mesma realidade, essencialmente humana.

Como afirma Stanley Krippner,criador do conceito de mitologia pessoal, juntamente com Feinstein (1), em seu significado mais tradicional, um mito é uma história ou crença organizadora que inclui alguns princípios básicos, orientadores.Para este autor, as mitologias culturais desempenhavam quatro funções: ajudar os membros de uma comunidade a compreender e explicar a natureza de um modo compreensível; oferecer um modo decondução nas diversas etapas da existência; estabelecer papéis sociais facilitadores nas relações pessoais congeniais e satisfatórios padrões de trabalho. Finalmente, permitir a participação do ser humano na maravilha e na perplexidade do cosmos (2).

Os primeiros teóricos da Antropologia, naturalmente modelados pelo paradigma racionalista positivista, tenderam a uma abordagem reducionista, frente aovasto e complexo universo da mitologia. Segundo Aldo Natale Terrin, que buscou contribuir para o desenvolvimento de umaantropologia da alteridade, em sua obra, Antropologia e horizontes do sagrado – culturas e religiões (3), afirma que o intelectualismo de Frazer e de Tylor reduziu a concepção do ritual a um mero erro de interpretação científica. Para Frazer, um ato mágico ou ritual é realizado,pela crença equivocada de que sua ação provoca os efeitos desejados, pelo mago ou feiticeiro, numa relação linear causal. Tylor, em sua concepção animista, influenciado pela perspectiva psicológica, destacou o aspecto catártico do ritual mágico-religioso. Radcliffe-Brown e o seu projeto de uma ciência natural da sociedade - inspirado em Durkheim e Spencer -, considerava o totemismo um protótipo dereligião como uma concepção do universo na forma de ordem social ou moral, onde os grupos expressam sentimentos de solidariedade, através de rituais simbólicos.

No seu enfoque funcionalista, Malinowski focaliza o ritual como exercendo uma função de integração social, contribuindo para a autoconservação da cultura e da sociedade, sobretudo diante de conflitos e de questões incontroláveis. ParaMalinowski, crenças e ritos, aparentemente irracionais, adquirem sentido quando são desvelados seus usos. Como afirma Adam Kuper, a função da magia era ritualizar o otimismo do homem, fortalecer a sua fé na vitória da esperança sobre o medo (4) Malinowski considerava o mito como uma narrativa que faz reviver uma realidade primeira, satisfazendo profundas necessidades, exprimindo, enaltecendo ecodificando a crença, garantindo a eficácia ritualística e oferecendo regras práticas e orientadoras da conduta humana. Enfim, uma realidade viva, codificadora da religião e portadora de uma sabedoria prática. Por outro lado, E.E. Evans-Pritchard, que estudou a feitiçaria dos azandes, desenvolveu uma noção dos rituais de bruxaria como formas explicativas dos infortúnios, demonstrando sua racionalidade eseu aspecto místico, pressupondo a existência de forças supra-sensíveis (5).

Claude Lévi-Strauss, em sua antropologia estrutural, discordando do funcionalismo e transcendendo a abordagem empírica, adota um enfoque universalista, considerando que o mito representa a mente que o cria, resistindo à história, numa perene condição. Do ponto de vista lingüístico, Lévi-Strauss afirma que o mito é...
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