O nascimento das fabricas

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  • Publicado : 11 de abril de 2013
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Resenha crítica de “O nascimento das fábricas”.
Introdução

O objetivo do presente trabalho é analisar o texto de Edgar de Decca “O nascimento das fábricas”. Para tanto, desdobraremos a reflexão em três partes. Na primeira, faremos um esboço do texto de Decca. Em seguida, mostraremos seu equívoco quanto ao socialismo realmente existente e pautaremos uma contraposição à suaconcepção através daquilo que chamaremos de dominação abstrata, constituída pela especificidade histórica da categoria trabalho, mostrando que a forma de dominação prevalecente na sociedade capitalista está assentada no fetiche do capital, para além da ‘oposição de classes. Por último traremos nossas considerações finais.

O nascimento das fábricas, de Edgar de Decca
O sistema de fábricas foi impostopela necessidade organizativa de um período histórico. A “fábrica, ao mesmo tempo em que confirmava a potencialidade criadora do trabalho, anunciava a dimensão ilimitada da produtividade humana através da maquinaria. (...) a presença da máquina definiu de uma vez por todas a fábrica como o lugar da superação das barreiras da própria condição humana.” (DECCA, 1984, p.8-9). Contudo, segundo Decca, asimples introdução tecnológica da máquina como instrumento contraposto ao trabalho vivo, hipostasiando sua capacidade criativa e submetendo-o ao julgo da máquina, não foi elemento determinante no processo de nascimento dessa nova organização social. Antes, “o surgimento do sistema de fábrica parece ter sido ditado por uma necessidade muito mais organizativa do que técnica, e essa nova organizaçãoteve como resultado, para o trabalhador, toda uma nova ordem de disciplina durante todo o transcorrer do processo de trabalho.” (DECCA, 1984, p. 25). Esta necessidade organizativa, porém, não estava sob o controle direto do trabalhador. O surgimento do capitalista e de uma classe de capitalistas, além de introduzir uma nova forma de organizar o mundo do trabalho, traz consigo todo um modo própriode pensar que, com o desenvolvimento desse sistema, vai se aperfeiçoando de maneira progressiva e de acordo com as necessidades de manutenção dessa organização. A nova dimensão de pensamento e saber é constituída e apropriada inteiramente pela classe de capitalistas que o produzem segundo um universo limitado.
Essa forma organizativa do trabalho, imposta pela necessidade e dominada pela classe decapitalistas, impõe, ainda, algo além da forma de trabalho: introduz toda uma mudança na forma de pensar o tempo, de utilizar o tempo, afirmando a positividade do trabalho e seu poder de redenção (coisa que não ocorria nos períodos históricos anteriores). Não obstante, os saberes sociais produzidos sob a égide dessa organização são, também eles, apropriados pelos capitalistas de uma maneira dupla.Primeiro, com a divisão social do trabalho, divide-se os trabalhos intelectuais e manuais, cabendo à classe dominante produzir saber e exercer seus poderes através dele. Segundo, com a lógica de dominação imposta, a sociedade aparece na quase totalidade de seus fatos como algo dado, naturalizado no processo de imposição dos pensamentos da classe dominante; e, ainda, com a constituição de todo ummundo como dado, os pensamentos e tentativas de ação que extrapolem esse limites são excluídos de maneira quase que natural pela lógica desse sistema.
Surge, portanto, uma forma de pensar definida e delimitada pela lógica da dominação da organização do trabalho pelos capitalistas: a ideologia. Neste sentido, os pensamentos dominantes expressam, idealmente, as relações materiais dominantes. São,portanto,
. 155).
Assim, a ideologia é um corpo sistemático de representações e de normas que ensinam a conhecer e agir. A unificação do pensamento e ação, para obter a identificação de todos os sujeitos sociais com uma imagem particular universalizada, nada mais é que a imagem da classe dominante (CHAUÍ, 2006, p. 15). Há, então, uma forma lógica delimitada, uma regra a qual todos devem se...
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