O monge e o executivo

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CAPÍTULO TRÊS
O MODELO
Quem quiser ser líder deve ser primeiro servidor. Se você quiser
liderar, deve servir. - JESUS CRISTO
SIMEÃO ESTAVA SENTADO, esperando, quando cheguei à capela uns minutos
depois das cinco. Terça-feira de manhã.
— Bom dia, John — ele me cumprimentou alegremente.
— Desculpe, estou atrasado — respondi ainda um pouco tonto. - Você
parece bastante animado. A que horascostuma acordar?
— Quinze para as quatro, exceto aos domingos. Isso me dá algum tempo
para me concentrar antes da primeira cerimônia. – Sorriu afetuosamente. — Digame,
John, o que você tem aprendido?
— Não sei, Simeão. Eu fiquei muito irritado com Greg, e foi difícil me
concentrar. Parece que ele desafia tudo. Acho que deve ser por causa de seu
treinamento no Exército. Por que você não dá umbasta, ou pede para ele sair, em
vez de deixá-lo interromper tanto?
— Eu rezo para que pessoas como Greg assistam às minhas aulas.
— Você realmente quer sujeitos como esse em sua aula? - perguntei
incrédulo.
— Pode apostar que sim. Meu primeiro mentor em negócios me ensinou uma
lição difícil sobre a importância da opinião contrária. Quando jovem, fui vicepresidente
de uma companhiafabricante de lâminas de metal, e defendia a todo
custo a teoria de que liderar era dar a mão aos outros e cantar em coro. Outros dois
vice-presidentes de que recordo vivamente até o dia de hoje, Jay e Kenny, pensavam
exatamente o oposto. Eles achavam que as pessoas eram preguiçosas, desonestas, e
precisavam ser cumeadas para fazê-las trabalhar.
— Assim como Greg?
— Ainda não tenho idéia daquilo emque Greg acredita, ]ohn, mas sei que as
coisas nem sempre são como parecem ser. Devemos ter cuidado antes de fazer
julgamentos rápidos. Além disso, Greg não está aqui conosco para se defender, e eu
tento não falar negativamente a respeito daqueles que não estão presentes.
— Acho que esta é uma boa política - concordei com ele.
— Tentei viver, muitas vezes sem sucesso, adotando a filosofia deque nunca
devemos tratar as pessoas da maneira que não gostaríamos de ser tratados. Acho que
não gostaríamos que as pessoas falassem de nós pelas costas, não é mesmo, John?
— Sem dúvida, Simeão.
— Voltando a Jay e Kenny, em nossas reuniões eu entrava em tremendos
conflitos com eles sempre que as questões dos empregados eram discutidas. Esses
dois sujeitos exigiam sempre políticas eprocedimentos mais duros, e eu sempre
optava por um estilo de administração mais democrático e aberto. Eu acreditava que
Jay e Kenny arruinariam a companhia com o que eu considerava atitudes da idade da
pedra. Eles, por sua vez, acreditavam que havia um comunista secreto querendo
entregar a companhia. Meu chefe, Bill - presidente da companhia e amigo pessoal -,
pacientemente arbitrava essas batalhas,algumas ferozes, às vezes ficando do lado
deles, às vezes do meu.
— Duro o lugar dele — comentei.
— Não para Bill - respondeu Simeão prontamente. - Bill sempre estabelecia
limites claros, principalmente quando se tratava dos interesses da empresa. Depois
de uma acalorada reunião, um dia puxei Bill de lado e disse: "Por que você
simplesmente não despede aqueles dois idiotas para que possamoscomeçar a ter
algumas reuniões respeitosas e produtivas?" Lembrarei sua resposta até o dia de
minha morte.
—Ele concordou em despedi-los?
—Ao contrário, John. Ele me disse que despedi-los seria a pior coisa que
poderia fazer à companhia. Quando eu perguntei por que, ele me olhou nos olhos e
disse: "Porque, Len, se nós adotássemos só o seu jeito de liderar, entregaríamos a
companhia. Essessujeitos ajudam você a manter o equilíbrio. "Fiquei tão zangado
que não consegui falar com ele durante uma semana.
— Colocando isso na linguagem que você usou ontem, Simeão, acho que
Bill deu o que você precisava, e não o que você queria, certo?
Simeão balançou a cabeça. - Uma vez aplacado meu ressentimento,
compreendi que Bill estava certo. Embora Jay, Kenny e eu brigássemos muito,
nossas...
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