O hipertexto no curta “ilha das flores

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE COMUNICAÇÃO E ARTES

O HIPERTEXTO NO CURTA “ILHA DAS FLORES

ALUNO: João Knijnik

PROFESSORA: Maria Dora Genis Mourão

DISCIPLINA: A influência das novas tecnologias
na linguagem cinematográfica com forma de expressão

USP
1998


1.INTRODUÇÃO

ILHA DAS FLORES (IF) teve sua estréia no Festival de Gramado de 1989. O filme apareceu como umabomba, um filme impacto. Foram 5 minutos de aplausos emocionados, causando comoção entre os presentes e arrebatando vários prêmios, inclusive de Melhor Curta Nacional, os Prêmios da Crítica e do Público. O reconhecimento atravessou fronteiras, com prêmios em 2 importantes festivais internacionais: Clermont-Ferrand e Berlim. IF logo entrou na lista de um dos 500 melhores curta-metragens dahistória do cinema.

IF faz parte do desenvolvimento das linguagens dos meios audiovisuais, que começa com os mágicos e ilusionistas do passado, passa pela invenção do cinema no final do século passado e desemboca neste final de século com a TV, o computador e as novas tecnologias que vem se desenvolvendo em velocidade estonteante, em todas as áreas do conhecimento, modificando comportamentos,transformando a sensibilidade do homem e trazendo uma ampla gama de possibilidades na expressão audiovisual. IF é fruto deste momento de transformação. Em apenas 13 minutos causa inúmeras reflexões sobre os mais variados assuntos da nossa época. A forma com que tratamos as imagens em profusão certamente é um dos assuntos expostos.

IF se orienta, com muita propriedade, pelos grandes mestres docinema. Aqui vamos expor 2 grandes vertentes que desenharam um caminho por onde IF passa: o cinema de Eisenstein e o cinema de Orson Welles. Estas influências vão nos permitir desenvolver algumas reflexões a respeito das novas tecnologias influindo na linguagem cinematográfica, isto é, influindo em IF.

2. O CINEMA DOS CRÂNIOS RACHADOS

Eisenstein é um cineasta russo que, a partir da décadade 20, se propõe a expressar em imagens o momento em que a U.R.S.S e toda a humanidade passa , a grande evolução do socialismo, um salto para uma nova percepção de ser humano e do mundo. Segundo Gilles Deleuze, ele procura pensar um Todo, partindo do choque das imagens entre si ou do choque dentro da própria imagem entre os componentes desta.

A cada choque, uma nova idéia mental é criada numcrescendo, levada pelos vetores de uma nova compreensão. O homem racha seu crânio, modifica radicalmente sua sensibilidade, reitera mais uma vez sua capacidade de transformação e possibilidade de redenção rumo a uma nova ordem. De oposição em oposição, de contradição em contradição , cria-se uma espiral infinita que, no cinema de Eisenstein, se traduziria na tentativa de resolver a contradição maisevidente: a exploração do homem pelo homem.

Deleuze classifica o cinema em 2 vertentes: o cinema clássico e o cinema moderno. O cinema clássico se alimenta de imagens sensório-motoras e alcança seu formato básico no cinema de Griffith e, sua excelência com cineastas como John Ford. Deleuze considera o cinema de Eisenstein um projeto cartesiano, em que o choque de imagens leva a umdesenvolvimento único do ser humano, numa única direção, numa única resposta.

Sabemos que as motivações de Eisenstein sempre transcenderam a questão política que o momento histórico impunha a U.R.S.S e ao mundo. Seu choque entre as imagens ganha sempre significados dos mais diversos, incluindo o aspecto da religiosidade. Nesta perspectiva, já podemos aproximá-lo e até mesmo classificá-lo de umcinema moderno, do qual IF vai se inspirar na intenção de “rachar os crânios” dos espectadores, de transformá-los através do choque de imagens. Mas isto acontece, no filme, de um modo bem particular, assumindo em parte uma condução linear, mas explodindo imagens e sons ligados por consistentes idéias mentais.

3.VERDADES E MENTIRAS DE ORSON WELLES

Orson Welles, segundo Deleuze, inaugura...
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