O espelho - machado de assis

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  • Publicado : 27 de setembro de 2012
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O Espelho - Machado de Assis
Esse é o melhor conto para que se possa entender de maneira mais direta a "filosofia" machadiana que sustentaria a tese de que sua análise do comportamento humano destaca uma abordagem psicossocial: nossapersonalidade é fruto de forças sociais, que por sua vez existem graças à nossa personalidade. Trata-se da história de Jacobina, um homem que nunca expunha suas opiniões para seus amigos porque não queria discutir, um ato que entendia como uma herança no homem de um caráter bestial.
Mas a narrativa se inicia porque o protagonista havia sido obrigado a expressar sua opinião sobre a existência daalma. Emite, então, uma curiosa teoria sobre a existência não de uma, mas de duas almas, interligadas, a alma interna, que pode ser entendida como a verdadeira maneira como nos enxergamos, e a alma externa, que é como os outros nos enxergam.
Sem uma, a outra não existe. E para provar sua teoria, conta uma história passada em sua juventude, quando havia recebido o título de alferes. Era apenas umtítulo e uma farda, mas isso trouxe à personagem uma notoriedade tamanha. Tanto que sua tia Marcolina pede para que ele passe uns dias em seu sítio, só para ter a honra de receber em suas terras um alferes.
E em sua homenagem deixa no quarto dele um móvel cuja parte mais chamativa era um espelho. Pouco depois da chegada de Jacobina, sua parenta recebe a notícia da morte eminente da filha dela, oque a faz partir com demais familiares, deixando o protagonista só com os escravos, mas estes fogem no dia seguinte.
Jacobina fica quase uma semana na completa solidão, sem ninguém para elogiar seu cargo e principalmente sua farda. Chega a uma crise tal que pensa em praticar suicídio. Seu único momento de alívio era quando dormia e em seus sonhos via as pessoas elogiarem sua farda.
O clímax danegatividade ocorre quando acidentalmente se olha no espelho e percebe a sua imagem muito difusa, pouco nítida. Supera, no entanto, o desespero e tem uma idéia salvadora: veste a farda e se coloca diante do espelho. Espantosamente, sua imagem está nítida.
Passa, então, a dedicar uma determinada hora do dia para olhar-se no espelho e admirar a sua vestimenta, o que lhe garante a sobrevivência nofinal do período de 14 dias em que ficou sozinho.
Deve-se notar neste conto a análise aguda que Machado de Assis fez da sociedade, a ponto de seu alcance tornar-se ainda atual. A simbologia de "O Espelho" nos indica que, em nosso meio, a alma externa, ligada ao status, ao prestígio social, é muito mais importante do que a alma interna, a nossa real personalidade. Sem essa máscara, praticamente nãosobrevivemos. Vamos a ele:
Quatro ou cinco cavalheiros debatiam, uma noite, várias questões de alta transcendência, sem que a disparidade dos votos trouxesse a menor alteração aos espíritos. A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora.
Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, emque as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo.
Por que quatro ou cinco? Rigorosamente eram quatro os que falavam; mas, além deles, havia na sala um quinto personagem, calado, pensando, cochilando, cuja espórtula no debate não passavade um ou outro resmungo de aprovação.
Esse homem tinha a mesma idade dos companheiros, entre quarenta e cinqüenta anos, era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico.
Não discutia nunca; e defendia-se da abstenção com um paradoxo, dizendo que a discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial;...
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