O caminho do guerreiro

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  • Publicado : 7 de abril de 2012
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TORNANDO-SE SENHORES DA MUDANÇA Para muitas pessoas, os ideais da Revolução Industrial – no sentido de mais progresso, mais desenvolvimento, maior riqueza – já não mais parecem relevantes, embora tenhamos problemas em abrir mão deles. Mas se devemos sobreviver no século XXI, temos que reconsiderar nossas prioridades. Em sua obra Dreaming the dark (Sonhando com o escuro), Starhawk nos lembra que:“A energia dirigida provoca mudanças. Para termos integridade, devemos reconhecer que nossas escolhas trazem conseqüências. Não porque estas últimas nos sejam impostas por alguma autoridade externa, mas porque são inerentes às próprias escolhas”. As culturas indígenas e orientais há muito tempo reconhecem que a única constante é a mudança, e que o princípio da interdependência é essencial àsobrevivência. Entre os povos tribais, homens e mulheres da medicina, chefes, xamãs, mestre e videntes são os “os senhores da mudança”, termo que Rosabeth Moss Kanter introduziu em 1985, como título de sua obra. As tradições xamânicas, praticadas por grupos agrários e indígenas de todo o mundo, recordamnos de que, durante séculos, os seres humanos vêm se utilizando da sabedoria da natureza e do ritual paradar suporte às mudanças e transições da existência, em vez de ignorar ou negar os processos vitais, como quase sempre fazemos. Nossa sociedade, como tantas outras sociedades ocidentais, encontra-se separada de suas raízes mitológicas. Na introdução do livro Rites of passage de Arnold Van Gennep, Salon Kimbala sugere que “uma dimensão de doença mental pode se manifestar porque um número crescentede pessoas vem sendo forçado a dar cumprimento a suas tradições sozinhas, com símbolos privados”. Esse processo de alienação pode ser amenizado pelo reaprendizado dos caminhos de nossos ancestrais. David Feinstein, num artigo publicado no American Journal of Orthopsychiatry, ressalta que a renovação demanda um retorno à fonte original da qual todos os mitos pessoais e culturais, em últimainstância, são criados: a psique humana. Não importa em que mundo vivemos agora: somos todos povos da terra, ligados uns aos outros por nossa mútua humanidade. Quando damos ouvidos aos povos de cultura ligados à terra, damos ouvidos aos nossos “eus” mais velhos. As culturas indígenas aprovam a mudança e a cura, a transição e os ritos de passagem, por meio de estruturas míticas e pela incorporação da arte,da ciência, da música e da dramatização à vida diária. Todas as formas de cultura do planeta possuem cânticos, danças e histórias que são contadas, e a essas práticas todos temos acesso. Também temos acesso aos quatro arquétipos interiores ou marcas registradas de comportamento humano que estão presentes nas estruturas míticas de todas as sociedades do mundo.

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VIVENDO O CAMINHO QUÁDRUPLO
Avô,Grande Espírito...Tu dispuseste as forças dos quatro quadrantes da terra para que se cruzassem. Tu me fizeste trilhar a boa estrada, e a estrada das dificuldades, e onde elas se cruzam, santo é o lugar. Dia vai, dia vem, para todo o sempre és tu a vida das coisas. - Alce Negro, Sioux Oglala (Nerburn, Native american wisdom)

Minha pesquisa demonstrou que, virtualmente, todas as tradições xamânicasrecorrem ao poder dos quatro arquétipos para viver em harmonia e equilíbrio com o meio ambiente e a própria natureza interior: o Guerreiro, o Curador, o Visionário e o Mestre. Porque todos esses arquétipos se lastreiam nas raízes míticas mais profundas da humanidade, nós também podemos ter acesso à sua sabedoria. Quando aprendermos a viver esses arquétipos internamente, começaremos a recuperar anós mesmos e ao nosso fragmentado universo. Os quatro princípios a seguir, cada um baseado em um arquétipo, compõem o que eu chamo de Caminho Quádruplo: 1. Mostrar-se ou optar por estar presente. O estar presente nos permite ter acesso aos recursos humanos do poder, presença e comunicação. Este é o caminho do Guerreiro. 2. Prestar atenção ao que tem coração e significado. Prestar atenção...
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