A intertextualidade nos textos teatrais de ariano suassuna

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 14 (3302 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 19 de novembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
A intertextualidade nos textos teatrais de Ariano Suassuna
Herlan José Tenório Ferreira (UPE)

RESUMO: Este artigo tem como objetos de estudo três obras de Ariano Suassuna: Auto da Compadecida (1955), O Santo e a Porca (1957) e O Casamento Suspeitoso (1957); com os objetivos de analisar a característica geral, as temáticas, nas obras desenvolvidas, e as personagens e a partir dodesenvolvimento destes objetivos chegamos a conclusão de que não iremos ver exatamente as palavras, proferidas pelas personagens, se repetindo de uma obra para outra, vai mais além de dizer que há um diálogo entre as temáticas de cada obra, chamo tanta atenção, pois o que vamos encontrar serão atitudes e comportamentos semelhantes entre João Grilo, Cancão e Caroba. A intertextualidade nesses textos teatrais deAriano Suassuna acontece de forma única, onde a relação intertextual acontece entre as personagens que são classificadas como: Condutor da ação. Como suporte teórico, tivemos uma bibliografia entre linguistas, literários, críticos, leitores, o próprio autor, enfim.
Palavras-chave: Suassuna, Intertextualidade, Personagem, Teatro, Compadecida.

Introdução

Ariano Suassuna nasceu em 1927 emfamília tradicional, sertaneja e protestante. Iniciou os estudos ainda na Paraíba, mas depois do assassinato do pai, que na época era Governador da Paraíba mudou-se com a família para o Recife onde fez ginasial, colegial e a faculdade de Direito. Em 1951 converteu-se ao catolicismo.
Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma mulher vestida de Sol. Em 1948, sua peça, Cantam as harpas de Sião (ou Odesertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Seguiram-se Auto de João da Cruz, de 1950, que recebeu o Prêmio Martins Pena, Entre 1951 e 1952, volta à Taperoá, para curar-se de uma doença pulmonar. Lá escreveu e montou Torturas de um coração. O aclamado Auto da Compadecida, de 1955, O Santo e a Porca - O Casamento Suspeitoso, de 1957, A Pena e a Lei, de 1959, A Farsa daBoa Preguiça, de 1960, e A Caseira e a Catarina, de 1961.
Em três obras de Ariano Suassuna observam-se pontos em comum como, o local onde tudo acontece, o final da obra, etc.
Segundo Prestes (2007):

Os textos de uma mesma época, de um mesmo campo de conhecimento ou de uma mesma cultura, por exemplo, mantêm, necessariamente, um ‘diálogo’ uns com os outros. Quando ocorre esse diálogo,temos a intertextualidade de conteúdo, que pode acontecer de modo explícito ou implícito.

Mas poderia três obras de um mesmo autor, mesma época, mesma cultura, baseados em obras de diferentes épocas, diferentes culturas, diferentes autores haver intertextualidade? Ou isso foi provocado propositalmente? Seria um estilo de Ariano Suassuna?
Existem conceitos que definem intertextualidade como:“presença efetiva de um texto em outro” (DONNER, 2011). Por exemplo, Canção do exílio tem uma parte do Hino nacional brasileiro; O santo e a porca tem uma relação com Auto da Compadecida, mas as primeiras obras citam as segundas e não se faz necessária inferência para compreendê-las, ou seja, ao ler Canção do Exílio não é preciso saber o Hino Nacional para compreender o poema; ao ler O Santo e a Porcanão é preciso ter lido Auto da Compadecida para compreendê-la. Mas há limites para usar a intertextualidade?

1. Análise das Personagens

Existem conceitos, teorias já formadas para classificarmos as personagens ou podemos “apelidá-las”, de acordo com seu comportamento, como quisermos, porém, utilizarei a classificação de Beth Brait (1985) que traz a descrição de cinco tipos de personagens etrata, também, do objeto desejado.
As personagens foram analisadas com base no seu comportamento, durante cada ato da peça e depois transformada em visão geral dentro da obra. O que acontece é que nem sempre o protagonista é quem tem a melhor ideia, nem sempre é o antagonista que vai fazer um plano maldoso, cada personagem tem a sua importância, seu valor dentro de cada cena, ato e obra....
tracking img