Violencia

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  • Publicado : 5 de julho de 2012
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15-DE ONDE VEM A VIOLÊNCIA

Os cientistas entram em conflito: o homem é violento por natureza ou a sociedade é que o faz assim?

O sangue é expelido com vigor em direção aos locais onde é mais necessário — o cérebro, para o raciocínio rápido, e os músculos, que devem trabalhar a plena capacidade. Não falta energia para o combate, pois o fígado passa a sintetizar mais açúcar. Também seaceleram os processos de coagulação, reduzindo as conseqüências de possíveis perdas de sangue. Estas são as reações de qualquer mamífero, incluindo o homem, quando numa situação de luta. Instintivamente, o corpo se prepara para o ataque, diante de qualquer ameaça — real ou imaginária. Essa vontade de brigar tem raízes biológicas? Eis uma grave questão, que coloca os cientistas em conflito, prontospara reagir agressivamente. Como qualquer ser humano, eles estão dispostos a defender vigorosamente suas posições, neste caso de maneira inglória — pois a rigor ninguém sabe ao certo por que se dá um soco. Um modo de tentar saber é olhar os bichos. Existem, entre os animais, diversos tipos de agressividade. A mais conhecida é a predatória, que faz um carnívoro matar para comer. Em algumas espéciesque vivem em grupo, como os elefantes, brigas feias também surgem na defesa do território de cada um. Além disso, a agressividade pode aparecer na disputa pela fêmea — garanhões trocam coices e patadas por uma bela égua, por exemplo. Existe ainda a agressividade dominante, imposta por um líder justamente para evitar desentendimentos entre os liderados. Nos ratos, há sempre um indivíduo que dominao grupo: diante de qualquer desordem, ele se aproxima e faz gestos ameaçadores, como se fosse atacar. Nunca chega às vias de fato, mas a encenação inibe os animais que desejam brigar entre si. "A mais intensa agressividade é a da mãe na defesa dos filhotes. Devido a mudanças hormonais após o parto, qualquer fêmea vira uma leoa", acredita o professor Frederico Graeff, da Universidade de São Paulo- Ribeirão Preto, um dos raros especialistas brasileiros num ramo relativamente novo da ciência, a Psicobiologia. Há quase vinte anos, Graeff estuda as reações biológicas da agressividade. Fica difícil, contudo, comparar uma mulher a uma leoa. "O potencial biológico da agressão existe no ser humano", ele sustenta, "mas esse potencial mudou bastante durante a evolução. principalmente desde que ohomem saiu de seu ambiente natural e passou a construir seu habitat — a selva de pedra das cidades." Essa mudança de ambiente, para o psicobiólogo, teve séries conseqüências. Numa briga entre lobos, para comparar, o perdedor oferece o pescoço. O gesto é suficiente para desencadear automaticamente uma série de reações fisiológicas no vencedor que aplacam a sua ira.
Nos animais de uma mesmaespécie, a expressão de medo e submissão costuma provocar esse efeito calmante. Mas os homens, como se sabe, são capazes de matar sem se abalar pelo olhar de súplica de suas vitimas. "Seria ingenuidade afirmar que isso é instinto biológico, pois aí o que agiu foi a cultura", opina Graeff. A idéia de que o homem tem uma fera dentro de si, ou seja, possui uma incorrigível tendência biológica a agiragressivamente, não é nova, mas virou moda no final da década de 60, com as teorias do austríaco Konrad Lorenz, um dos criadores da Etologia, ciência que compara o comportamento dos animais. Para Lorenz, a agressão é desencadeada quando o animal observa algumas características - chave de um rival potencial. Isso seria suficiente para provocar um ataque cego, mesmo que o outro seja mais forte. Se poralgum motivo o ataque não se consumar, a raiva se acumulará como numa espécie de reservatório, até que algo ou alguém sirva de gota d'água, fazendo transbordar de uma só vez a agressividade reprimida. Se assim fosse, o homem nunca deveria reprimir seus impulsos agressivos. Seria ruim para ele e pior para os outros — porque sua violência ficaria ainda maior a longo prazo.
Ocorre, porém, que...
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