Um olhar sobre os acampamentos do mst

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Universidade de São Paulo
Departamento de Antropologia
Professor Renato da Silva Queiroz
Introdução às Ciências Sociais (Antropologia I)
Thais de Almeida Bessa ( n 6471077)
1ª ano vespertino


Um olhar sobre os acampamentos do MST


No universo conflitante e tantas vezes mal explorado da estrutura agrária brasileira, é possível encontrar uma análise bem distinta das realizadas outrorapor economistas, agrônomos, sociólogos, geógrafos e historiadores através do estudo realizado por Maria Cecília Manzoli Turatti em “Os filhos da lona preta – identidade e cotidiano em acampamentos do MST” originalmente uma dissertação de mestrado em Antropologia Social, defendida em 1999 na Universidade de São Paulo e posteriormente publicado pela Editora Alameda, no qual a autora, com um olharantropológico e de forma bastante perspicaz, capta a essência desses agrupamentos provisórios, exprimindo a condição precária, vulnerável e itinerante em que vivem.
Num primeiro momento a autora busca apresentar ao leitor um quadro etnográfico e interpretativo dos acampamentos promovidos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Estado de São Paulo, considerando como foco centralas relações de poder e sociabilidade que se estabelecem entre os acampados e entre estes e a instituição MST.
No primeiro capítulo, denominado “Escolhas”, a autora visa apresentar os motivos que a levaram a escolher os acampamentos como objeto de análise, os problemas encontrados nessa tarefa, a duração da pesquisa e os locais nos quais ela se desenvolveu, e as escolhas metodológicas. Nosegundo, denominado “Etnografia”, apresenta os relatos etnográficos, revelando traços do acampamento e dos acampados, suas problemáticas, seus conflitos, suas aspirações e sentimentos, as condições precárias em que vivem, e as instituições e práticas que garantem a funcionalidade destes. E por fim, no último e terceiro capítulo que recebe o nome de “Estudo Antropológico”, o acampamento é visto em suadimensão transitória, mas também como resultado de um processo histórico que justifica a sua existência e o impele para um futuro no qual, transformado em assentamento, alcance uma definição social positiva.
No entanto, para que se entenda o porquê da importância desse estudo, é necessário compreender como a concentração de terras rurais nas mãos de poucas famílias ou empresas, em âmbito nacional,está na raiz da desigualdade social. Cerca de 3% do total das propriedades rurais do país são latifúndios, ou seja, tem mais de mil hectares e ocupam 56,7% das terras agriculturáveis – de acordo com o Atlas Fundiário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Em outras palavras, a área ocupada pelos estados de São Paulo e Paraná juntos está nas mãos dos 300 maioresproprietários rurais, enquanto 4,8 milhões de famílias estão à espera de chão para plantar. Apoiados, entretanto, nos números da produção agrícola e nas divisas geradas pela exportação de suas mercadorias, os ruralistas tentam justificar a existência dessas grandes propriedades, inserindo-as no agronegócio. Em defesa do latifúndio, dizem que não há mais terras improdutivas, desconsideram a participação daspequenas propriedades na produção agrícola e afirmam que a reforma agrária já não é mais necessária. Contudo, com um olhar atento sobre os números da economia agrícola, as mortes de trabalhadores por conflitos agrários e dados alarmantes sobre o desmatamento nas regiões Amazônica e no Cerrado, põem em xeque os argumentos que sustentam os latifúndios no país. Nessa perspectiva é importante adentrarno universo distante dos trabalhadores sem terra, a fim de captar de uma ótica diferente, esse entrave brasileiro oculto pelos temas de urgência como a formulação de políticas públicas para o meio rural, a necessidade de compreensão das transformações econômicas ocorridas no processo de produção agrícola e a análise do papel que o movimento popular cumpre no cenário político atual.
Embora o...
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