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Memória e seus paradigmas

Patrícia Marques de Souza[1]

Resumo: Este artigo aborda a problemática da utilização da memória como fonte histórica e suas disputas.
Palavras-Chave: memória coletiva e individual, disputas, fontes históricas, relação memória/História.




Considerações iniciais



A idéia de memória, a maneiracomo ela é exercida e sua relação com a História, vêm sendo objeto de pesquisa e de debates teóricos de muitos estudiosos ao longo dos anos. A utilização de fontes orais para o desenvolvimento de estudos não é recente e ao longo do tempo, a memória e outras fontes dessa mesma origem perderam a classificação de secundárias e passaram a ser encaradas como possibilidades de fontes seguras. Esseprocesso de mudança está ligado ao questionamento feito pela corrente historiográfica francesa dos Annales, na década de 1920 que propunha uma diversificação de temas e foi o primeiro passo para a diversificação do uso das fontes. Em vista disso, para tornar-se possível conhecer, estudar e problematizar o universo da memória é necessário ter ciência de que ela é feita por pessoas que vivenciaram osacontecimentos pessoalmente ou pelo grupo a qual o indivíduo esteja inserido e apresenta como características a seleção, a construção, a subjetividade, o individual, o coletivo, o social, o nacional e o afetivo[2]. Esses conceitos precisam ser considerados na análise dessa questão de notável relevância para o estudo das diferentes sociedades humanas que foram entendidas e explicadas de diferentesformas. Sua definição denotativa pode apresentar os seguintes significados: “1. Faculdade de reter as idéias, impressões e conhecimentos adquiridos. 2. Lembrança, reminiscência.”[3]. Dessa maneira, a memória torna-se uma lembrança construída no presente a partir experiências passadas e cada uma possui sua própria lógica e sentido.
Neste trabalho, procurei desenvolver o tema teórico-metodológicomemória e discorrer sobre seus paradigmas relacionados à construção do conhecimento por parte dos historiadores, como por exemplo, a questão da memória e seu sentimento de justiça, de dever, de legitimização de um fato para o indivíduo ou para o coletivo e a tarefa dos historiadores em encontrar meios para compreendê-la e utilizá-la como fonte de acesso ao passado criado pelas lembranças banhadasem sentimentos, subjetividades e expectativas. Escolhi dividir o tema do texto em alguns tópicos para que se tornasse mais fácil sua análise e compreensão, assim como a utilização de diversos autores de essencial importância para a compreensão deste debate teórico.


A história da Memória


Em seu livro História e Memória[4], o historiador francês Jacques Le Goff, demostra quenas sociedades sem escrita, a questão da memória fica ligada aos interesses do coletivo que se relaciona com os “mitos de origem” que são uma forma de explicar a natureza, os sentimentos e o seu funcionamento, o “prestígio das famílias dominantes” que são transmitidos pelos seus familiares e no “saber técnico” que é repassado através dos ritos de magia religiosa[5].
A invenção da escritatransforma profundamente a memória coletiva, já que, permite o processo de celebração e comemoração através de algo que represente o passado, uma relíquia e o documento escrito que também é uma forma de monumento que permite registrar ao longo do tempo, a história dos povos “... todo o documento tem em si um caráter de monumento e não existe memória coletiva bruta.” [6].
No Oriente Antigo, asinscrições cederam espaço para os monumentos e outras grandes civilizações, fizeram em primeiro lugar, a memória escrita nos calendários. Contudo, os antigos gregos acreditavam que a memória fosse algo divino, a própria deusa Mnemosine que lembra aos homens suas recordações heróicas. O poeta seria o único que poderia registrar a memória, através dos poemas e não de um documento escrito que causaria...
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