Trabalho de psicologia social

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
Instituto de Psicologia
Disciplina de Psicologia Social e Institucional

Disciplina: Psicologia Social I

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A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO MONSTRO EM "O HOMEM ELEFANTE"
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A Psicologia Social, ao longodo tempo, foi se renovando e formando novos paradigmas. De acordo com o paradigma rizomático (ético-estético), a função da Psicologia Social seria estudar a maneira com a qual determinado conjunto de práticas sociais produz uma forma de relação consigo e com o mundo - ou forma pela qual um determinado modo de subjetivação produz certos territórios existenciais. Esse paradigma opõe-se aoarborescente - cientificista tradicional - em que se lida com o conhecimento de forma hierarquizada e fragmentada (Silva, 2003).
O paradigma ético-estético busca exatamente a desconstrução dos dogmas cientificistas, incluindo a visão de indivíduo autônomo, isolado do social - visa, portanto, pensar o processo de subjetivação a partir de valores voltados para a alteridade, negando-se a adotar uma posição desaber e de neutralidade científicos (Silva, 2003). Nesse sentido, o filme O Homem Elefante (The Elephant Man, 1980), de David Lynch, proporciona uma oportunidade de especular sobre o processo de subjetivação do protagonista do filme, John Merrick, sobre como seu contexto social e histórico promoveu a constituição da sua subjetividade, bem como sobre dogmas cientificistas concernentes à dualidadenormal/anormal.
John Merrick pode ser considerado uma representação social do estranho, do outsider, do monstro, do ser, enfim, que não pertence. É outsider porque desvia das regras do grupo no qual está inserido, é monstro porque quem o cerca, em geral, não quer vê-lo como um semelhante. Carlos Alberto Marques coloca que "o indivíduo reconhece o outro porque ele é diferente. Porém, se adiferença é tamanha a ponto de obscurecer o sentimento de se pertencer a uma mesma coletividade, ela se torna, também, um fator de insegurança". Como percebe essa tentativa de forçar uma semelhança no movimentos contemporâneos?
Foucault, em Os Anormais (2000), destaca o monstro como um tipo de sujeito anômalo e afirma que "o que define o monstro é o fato de que ele constitui, em sua existência mesma e emsua forma, não apenas uma violação das leis da sociedade, mas uma violação das leis da natureza".
Uma das primeiras falas do filme O Homem Elefante é de um oficial de polícia ao dono do circo onde John Merrick reside: "Isso é monstruoso e não deveria ser permitido". O monstro causa um desconforto imediato por não estar inserido nas regras que interiorizamos a respeito do que é possível e do que éplausível de existir. Como interiorizamos regras?
Foucault (2000) aponta "O que é o monstro numa tradição ao mesmo tempo jurídica e científica? O monstro (...) é essencialmente o misto. É o misto de dois reinos, o reino animal e o reino humano". O monstro é visto como uma "transgressão, por conseguinte, dos limites naturais, transgressão das classificações, transgressão do quadro, transgressãoda lei como quadro", mas é monstro principalmente porque questiona as leis - sejam elas jurídicas, biológicas, divinas, enfim -, desacomoda os saberes. Desse modo, talvez se pudesse pensar na função social do monstro de desconstruir paradigmas, como a Psicologia Social em sua linha ético-estético propõe.
Parece, contudo, que a representação social do monstro, do anormal, que é como John Merrick éinicialmente visto no filme, é outra: a de contraste com o normal. Essa dicotomia foi consolidada pela psiquiatria positivista no século XIX, servindo à biopolítica de controle dos corpos da época (Caponi, 2009), e inserindo-se na mentalidade da sociedade em geral.
Becker (2008) aponta o papel da ciência na segregação de grupos desviantes do "padrão normal"; para ele, a ciência "aceitou a...
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