Teoria sociologica

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A teoria sociológica
contemporânea.
Da superdeterminação
pela teoria à historicidade
Paulo César Alves1

Resumo: Ao se situar no campo da metateoria, o presente trabalho tem por
objetivo discutir uma das principais premissas que está subjacente à sociologia contemporânea: a historicidade. Contrapondo-se à teoria sociológica
desenvolvida entre as décadas de 1940 e 1970, as “novassociologias” têm
procurado ultrapassar um pressuposto epistemológico daquele período – a
superdeterminação pela teoria. Nesse esforço, têm outorgado à ideia de
historicidade uma posição central no entendimento da ação humana. Constituindo-se como aberturas para o futuro (seu componente de “liberdade”), a ação, longe de ser um processo “cego”, sempre revela necessariamente tanto o seu enraizamento nomundo social e físico quanto a possibilidade de transcender essa situação.
Palavras-chave: teoria sociológica; sociologia contemporânea; ação social;
historicidade; metateoria.

Recebimento:
08.12.2009
Aprovado:
27.02.2010

1. Professor do
Departamento de
Sociologia da
Universidade
Federal da Bahia.
E-mail:
paulo.c.alves@uol.com.br

“[...] a possibilidade da história, colocada no serhumano – precisamente a sua liberdade –, não é ela mesma histórica, e sim ontológica;
e uma vez descoberta, ela mesma passa a ser o fato central na evidência de onde toda ontologia se alimenta” (Jonas, 2004: 210).

1. Introdução
as últimas três décadas, a sociologia – como as ciências sociais em
geral – tem desenvolvido uma crescente preocupação em repensar os pressupostosteórico-metodológicos sobre os quais se assenta o seu entendimento científico do mundo. Esse fato pode ser
constatado pelo número de autores clássicos que são atualmente objeto
de releituras (como Mead, Durkheim, Simmel e, principalmente, Weber);
pelas reflexões de caráter epistemológico desenvolvidas pelos cientistas

[]
N

Revista Sociedade e Estado - Volume 25 Número 1 Janeiro / Abril 2010

15 sociais; pela multiplicidade de paradigmas e de referências teórico-metodológicas; pelas tentativas de integração e sínteses teóricas propostas; pela
busca de superação de uma série de pares de conceitos clássicos (como
subjetivo e objetivo, agente e estrutura, coletivo e individual, macrossociologia e microssociologia) e, principalmente, pela expansão de novos
campos de pesquisas que ultrapassam astradicionais fronteiras disciplinares. As trocas multidisciplinares que realimentam novas problemáticas
no campo da sociologia – entre a sociologia e a filosofia, entre a sociologia
e a história, a psicologia e a linguística – são tão comuns que às vezes somos tentados a indagar se estamos realmente diante da sociologia ou de
uma outra disciplina que está se configurando no cenário intelectual.De
uma maneira geral, e guardando as devidas proporções, parece que nos
últimos trinta anos o ferver da imaginação sociológica iguala-se com o que
foi presenciado na passagem do século XIX para o XX, como a série de debates intelectuais (Methodenstreit) que sacudiram na Alemanha daqueles
tempos.
Vivemos um momento singular com o advento das “novas sociologias”, termo designado por Corcuff(2001) para se referir a um conjunto de teorias
que floresceram a partir da década de 1970, como, entre outras, a sociologia
existencial (John Johnson, Joseph Kotarba e Jack Douglas), a teoria do atorrede (Bruno Latour), a teoria da ação criativa (Hans Joas), a sociologia fenomenológica (Jack Katz), além das mais conhecidas e não tão “novas” como a
“praxeologia” ou “construtivismo estruturalista”de Pierre Bourdieu, a teoria da estruturação de Anthony Giddens, a etnometodologia de Garfinkel e
Aaron Cicourel.
Tendo em vista as transformações atuais que acontecem no campo da sociologia é necessário indagar quais são os princípios que fundamentam os
universos conceituais dessas “novas sociologias”. Tarefa ousada, sem dúvida, mas importante, pois com essa reflexão podemos traçar as...
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