Sociologia marx

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KARL MARX(1818-1883)

DIALÉTICA E MATERIALISMO


A tradição filosófica dominante na Europa até o início da moderni¬dade pressupunha a existência, além do mundo sensível e histórico, de uma outra dimensão mais real e povoada de substâncias ou de essências imutáveis que seriam os verdadeiros objetos do conhecimento. Sob essa ótica, o movimento e a transformação, no nível fenomênico, eramconside¬rados mera aparência ou concebidos como consumação de um ciclo ine¬xorável que em nada afeta o ser das coisas, constituído desde sempre, e sempre idêntico a si mesmo. Gradualmente, os caminhos da razão e da história irão se aproximando até que formas mais dinâmicas de entender a realidade acabarão por ocupar o lugar das concepções anteriores.
A filosofia idealista de Georg WilhelmFriedrich Hegel (1770-1831) é um ponto alto dessa trajetória. Para o pensador alemão, "tudo o que é real é racional, e tudo o que é racional é real". A realidade histórica desenvolve-se enquanto manifestação da razão, num processo incessante de auto-superação desencadeado pelo conflito e pela contradição que lhe são inerentes. Tal é "o movimento dialético, esse caminho que produz a si mesmo". A noção dedialética origina-se no pensamento clássico grego e é retomada e reformulada por Hegel que, discorrendo sobre a dificuldade de apreendê-la, diz:

Assim como a opinião se prende rigidamente à oposição do verdadeiro e do falso, assim, diante de um sistema filosófico, ela costuma esperar uma aprovação ou uma rejeição e, na explicação de tal sistema, costuma ver somente ou uma ou outra. A opinião nãoconcebe a diversidade dos sistemas filosóficos como o progressivo desenvolvimento da verdade, mas na diversidade vê apenas contradição. 1


O finito2 deve, portanto, ser apreendido a partir do seu oposto, o infinito, o universal, e é essa relação entre o particular e a totalidade que Hegel denomina unidade dialética.3 O fenômeno torna-se inteligível ao ser articulado à totalidade em que seinsere, ao ser constituído conceitualmente. Na base desse empreendimento está o sujeito — que é quem realiza o esforço conceituai orientado a transcender a simples observação dos "fatos", estruturando-os em um sistema totalizante. Este, no entanto, será sempre transitório, passível de superação, devido ao automovimento do conceito, que reflete a busca pela verdade em que se empenha o pensamentocientífico e filosófico. Aplicada aos fenómenos historicamente produzidos, a ótica dialética cuida de apontar as contradições constitutivas da vida social que resultam na negação e superação de uma determinada ordem.
Outro tópico recorrente no pensamento político e filosófico, sobre¬tudo ao longo do século 18, refere-se à perda de autocontrole por parte dos seres humanos, subjugados pela suaprópria criação: a riqueza da vida material e seus refinamentos.4 Esse tema reflete-se na ideia hegeliana de consciência alienada, separada da realidade, "a consciência de si como natureza dividida". De fato, para o filósofo idealista, ser livre significa recuperar a autoconsciência, e a história dos povos é o processo através do qual a Razão alcança progressivamente esse destino. Após a morte de Hegel,seu pensamento foi interpretado e, até certo ponto, instrumentali¬zado politicamente por seus seguidores o que deu origem a duas tendências: uma conservadora, de direita, e outra de esquerda, representada pelos jovens ou neo-hegelianos, entre os quais encontravam-se Marx e Engels.5 De fato, o marxismo, desde seus inícios, manterá um intenso e duradouro debate com o idealismo hegeliano.
Napassagem do idealismo para o materialismo dialético, Ludwig Feuerbach (1804-1872), hegeliano de esquerda, foi uma figura-chave. Feuerbach sustentava que a alienação fundamental tem suas raízes no fenômeno religioso, que cinde a natureza humana, fazendo com que os homens se submetam a forças divinas, as quais, embora criadas por eles próprios, são percebidas como autônomas e superiores. O mundo...
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