Searle reply to derrida

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Diálogos: gênero, política e poder
Resenha de Linguagem, gênero, sexualidade
Ana Cristina Ostermann e Beatriz Fontana (orgs.)
Editora Parábola, 2010
Carla Rodrigues[1]


“Linguagem, gênero e sexualidade”, coletânea organizada por Ana Cristina Ostermann e Beatriz Fontana, é uma bem-vinda contribuição ao debate sobre gênero, linguagem e comunicação. Interaçõescomunicacionais, análise de discurso e outras pesquisas da área de comunicação que contemplem aspectos do uso da linguagem passam a ter uma bibliografia de referência que contempla questões de gênero. Do exemplo mais simples – o uso do termo “homem” como sinônimo de humanidade, conseqüência de se tomar o masculino como neutro e universal – aos avanços mais recentes e o reconhecimento dadiscriminação no discurso, a linguagem passou a ser estudada como mais um elemento de interdição do poder às mulheres. Esse campo de estudos sobre a linguagem tornou-se possível a partir da virada lingüística e do reconhecimento da linguagem como convenção. Desde Crátilo[2], a tradição filosófica discutia a “justeza dos nomes”: Hermógenes e Crátilo defendem duas posições antagônicas em relação à linguagem.Para ele, as palavras são adequadas às coisas por “natureza”, enquanto Hermógenes vai defender a ideia de pacto, convenção e consenso. Sócrates critica a teoria convencionalista e adere ao naturalismo, fazendo Crátilo vencer Hermógenes[3].
Só no final do século XIX começam a surgir os primeiros estudos que, com a teoria lingüística de Ferdinand de Saussure[4], no século XX, sustentarão alinguagem como convenção. As afirmações de Saussure sobre a arbitrariedade do signo e da ligação arbitrária entre significante e significado abrem muitas questões, entre as quais está a possibilidade de pensar sobre o caráter supostamente neutro da linguagem. Articule-se a isso a crise da representação, a afirmação de que tudo é discurso, os questionamentos da teoria feminista sobre a construção dasdiferenças sexuais, e chega-se aos estudos sobre linguagem e gênero dos quais os textos reunidos no volume organizado por Ana Cristina e Beatriz são representativos.
Editados na coleção “Clássicos traduzidos” da Editora Parábola, a coletânea apresenta os textos em ordem cronológica, o que permite uma compreensão da evolução desses estudos. Estão reunidos desde o pioneiro trabalho de RobinLakoff, o já clássico “Linguagem e lugar da mulher” (tradução de Adriana Braga e Édison Luis Gastaldo), de 1975, até o artigo de Deborah Cameron, de 1998 (Desempenhando identidade de gênero: conversa entre rapazes e construção de masculinidade heterossexual, tradução de Beatriz Fontana), em que estão em debate temas contemporâneos como as contribuições da teoria queer para a questão da linguagem.A partir da abertura proporcionada pelas teorias feministas que mostraram como o gênero é construído, Lakoff analisa a construção da distinção entre “linguagem masculina” e “linguagem feminina”, mostrando como o uso da linguagem dita feminina sempre foi um elemento de interdição ao poder. Toda a discussão se dá a partir da idéia de que essa distinção foi construída a fim de manter as mulheresem papeis secundários na sociedade e garantir aos homens o privilégio de falar sobre o que “realmente importa”.
Ao longo do percurso cronológico que o livro se propõe a cumprir, entram em cena textos como “O trabalho que as mulheres realizam nas interações”, em que Pamela Fishman (tradução de Viviane M. Heberle) analisa 52 horas de conversa gravada em áudio entre parceiros íntimos em suascasas. Seguindo a linha dos estudos iniciados por Lakoff, a autora procura demonstrar como homens e mulheres se utilizam, de maneira distinta, de estratégias discursivas: por exemplo, mulheres fazem três vezes mais perguntas que os homens, o que já havia sido apontado por Lakoff como um sinal de insegurança feminina.
Já Candice West e Don H. Zimmerman, no texto “Pequenos insultos: estudo...
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