RESENHA: O LUGAR DOS PAIS NA PSICANÁLISE DE CRIANÇAS

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  • Publicado: 17 de junho de 2013
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RESENHA:
O LUGAR DOS PAIS NA PSICANÁLISE DE CRIANÇAS

Psicanálise de crianças ou com crianças? De pais, com pais, dos pais ou sem eles? A clínica com crianças está repleta de armadilhas, exige que pensemos em possíveis respostas para não nos transformar em pedagogos, interventores ou ditadores do desejo da criança, devido às pressões que, frequentemente, sofremos no lugar de analista.
Aomesmo tempo, se não abrirmos um espaço de escuta para os adultos, a análise da criança não se torna possível. Isto nos defronta com dois problemas fundamentais: o da demanda e o do sintoma.
As crianças costumam fazer sintomas naqueles lugares que se tornam insuportáveis para seus pais. Os sintomas estão a eles dirigidos porque é uma maneira de se fazer ouvir. O sintoma aparece em substituição aum desejo reprimido, pode aparecer no lugar de algo que ficou bloqueado no desenvolvimento de suas relações inconscientes com seus próprios pais.
O sintoma é também a solução de compromisso entre a realização do desejo inconsciente e o insuportável do Eu para tolerar sua realização. A intolerância da realização do desejo inconsciente que pulsa por se satisfazer está bloqueada por um Eu que tentasatisfazer o desejo dos pais.
No caso da infância existe uma sobreposição, ou uma superposição, na formação da subjetividade entre a dinâmica psíquica da criança e a de seus progenitores. Em alguns momentos na formação dessa subjetividade, confunde-se o desejo do infans com o de seus pais, não se estabelecendo, portanto, uma clara definição entre o dentro-fora.
Trata-se de uma infância jáinternalizada que por identificação, funciona como o supereu da criança. Nesse psiquismo em formação, os determinantes de ordem interna-externa, bem como os determinantes daquilo que é próprio à constituição do psiquismo da criança e o peso do mundo desejante do outro na determinação desta constituição fazem com que nos encontremos cercados de múltiplas armadilhas e miragens.
Os analistas se mantêmno lugar que permita servir à transferência das pulsões do passado para que ressurja o reprimido que está causando os problemas atuais. O lugar que a teoria do desenvolvimento ocupa na psicanálise infantil e, o sexual infantil.
Por que a psicanálise de crianças é a Psicanálise? Ora, se o campo em que o analista opera é o da linguagem e se o interesse é pelo infantil, mais precisamente pelosexual infantil, então, todos nós concordaremos que estamos falando de Psicanálise. No entanto, para que usamos esta distinção? Parece-me que ao falarmos em Psicanálise de crianças, buscamos salientar que existe, no caso da infância, “uma sobreposição na formação da subjetividade entre a dinâmica psíquica da criança e a de seus progenitores”. Neste sentido, “a criança cria, ao mesmo tempo, a históriade sua neurose e a constituição de sua subjetividade”. Isto nos remete principalmente ao problema do lugar que os pais ocupam no tratamento psicanalítico com crianças.

A distinção entre pais imaginários e simbólicos – duas dimensões dos pais reais – tem sido uma importante contribuição de Lacan e seus seguidores para a prática da Psicanálise com crianças. Principalmente, por nos propiciar umaposição diferente que aponta para a necessidade de escuta dos pais, mas que não se confunde com a análise deles. O lugar dos pais reais, entendidos em sua função imaginária, é exatamente esse de quem se queixa, sofre, busca explicar, apresentando-se de acordo ou em desacordo com o que imaginário social definiu previamente. Eles solicitam do analista a atenção em seu filho, porém não se retiram da“cena”.
A dimensão simbólica dos pais reais já é outra coisa. Indica-nos que também entram na cena as funções paterna e materna, deslocando os personagens de suas funções. Entendidos como significantes, também o são enquanto elementos de uma cadeia discursiva e, portanto, submetidos às leis de funcionamento da linguagem. É uma espécie de enlace discursivo que captura pais e crianças num mesmo...
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