Resenha do filme crash

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  • Publicado : 4 de junho de 2012
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A trama é fragmentada em vários núcleos narrativos, todos imersos em sua apreensão de mundo e em seus preconceitos próprios.
Há o caucasiano com preconceito em relação aos negros e latinos; há os negros com preconceitos dos brancos e dos próprios negros; há árabes (categorização que inclui, no filme, todos os muçulmanos, mesmo que a maioria islâmica do mundo não seja falante do árabe ou nascidana Arábia Saudita) com preconceito dos latinos; há os chineses, os porto-riquenhos, os tailandeses, os pobres, os ricos, os bandidos, os policiais e há mesmo aqueles que nem possuem classificação.

"Crash" demonstra, com um realismo surpreendente, que preconceito e discriminação não é um "privilégio" dos brancos burgueses, que todos nós, independentes de raça e classe social, já possuímos umapré-compreensão do mundo que nos circunda e que é através dela que escolhemos nossos círculos de amizade, os ambientes que freqüentamos e as pessoas que costumamos evitar. Não se trata de algo racional, fundamentado em teorias eugênicas, mas sim a própria constituição nossa, enquanto seres humanos, de julgar o próximo e lidar com ele através deste julgamento.

Há um desamparo terrível nestaconstatação, como se, para esta falta de tolerância, não houvesse solução. Mas a arte - mesmo que não tenha de possuir esta atribuição - é um modo de voltarmos nosso olhar sobre nós mesmos e percebermos que também fazemos parte deste ciclo de ódio, que, se um filme como "Crash" existe, é porque nós permitimos e, mais do que isto, contribuímos que para chegássemos a este ponto.

Acredita-se que o filmede Haggis simboliza a América pós-11-de-setembro. Nada mais equivocado do que isto. O filme de Haggis simboliza a humanidade, desde seus primórdios pré-históricos até hoje. Nossa época, longe de ser a fundadora do preconceito, apenas o acentua dia após dia.




“Crash” retrata a cidade de Los Angeles no Estado da Califórnia (EUA), uma das mais multiculturais do mundo. A história dospersonagens começa a se interligar quando um carro de luxo de um dos promotores de Los Angeles é roubado. São várias culturas que vivem nessa cidade: “Brancos”, “Negros”, Latino-americanos”, “Persas” e “Orientais”.
 
Os personagens se interligam pelos preconceitos que possuem e de alguma forma são prejudicados por eles. Os conflitos de origem racista e social acontecem de várias formas que vão de batidasde carro até assassinatos, o preconceito e o racismo existente no filme é retratado de maneira muito real.
 
Suas histórias se entrelaçam e são repletas de frustrações. Pessoas completamente diferentes compartilhando o mesmo espaço, entrando em conflitos e sendo obrigadas a compreenderem-se. O filme demonstra com realismo que o preconceito e a discriminação não são prerrogativas de apenas umacultura mais intelectualizada, e sim de todos os tipos de cultura, cada uma possui suas próprias particularidades, seus receios em relação aos outros povos e porque não dizer: seus próprios preconceitos.
 
O relativismo de valor ou o relativismo cultural é muito complicado nas situações expostas em “Crash”, este relativismo é perigoso quando chega a patamares extremos de “respeito” a culturaalheia, ou seja, quando consideramos qualquer atividade ou fato da outra cultura como normais por mais diferente que sejam de nós, simplesmente para não haver conflitos. Por exemplo, determinada cultura de determinado país possui em seu cotidiano pessoas que são torturadas e mortas, nós de culturas diferentes se fossemos relativistas ao extremo diríamos que é a cultura deles e que não temos nada a vercom isso, entretanto, estes fatos não pertencem à cultura propriamente dita, e sim de uma imposição para as pessoas daquele lugar.
 
Não devemos definir os seres humanos como “raças”, e sim baseados em “etnias”, pois aquele conceito é de origem preconceituosa, racista e problemática; este é utilizado para identificar e classificar cada cultura em sua particularidade. Já o etnocentrismo ao...
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