Resenha "da horda ao estado"

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Da Horda ao Estado – Primeira Parte Enriquez, E. (1999). Da horda ao Estado: Psicanálise do vínculo social. Rio de Janeiro: Jorge Zahar

Eugène Enriquez nasceu em 30 de julho de 1931 em La Goulette (Tunísia) e é professor aposentado da Universicade de Paris VII. Enriquez teve como base as contribuições de Sigmund Freud e Max Weber e estava preocupado principalmente comas funções imaginárias edo inconsciente social. Sua obra mais fundamental é a “Da horda ao Estado”, publicado em 1983, o qual foi utilizado nesta resenha.

Na obra “Da Horda ao Estado”, o autor utiliza as obras de Freud como base para sua reflexão, pois afirma que elas são capazes de conectar os assuntos que ele aborda, como os processos individuais, o funcionamento dos grupos e as regulações sociais. O autor buscaindicar e destrinchar, em cada capítulo, as questões fundamentais trazidas por Freud nas obras abordadas contextualizando-as na natureza e nas modalidades do vínculo social. Durante os capítulos, Enriquez pretende abordar questões tais quais: “Por que o ser humano obedece facilmente e serve voluntariamente¿”, “Porque as instituições que fornecem as bases de transmissão de poder para que o Estado semultiplicam¿” e procura estabelecer uma relação entre o desejo individual e o desejo social. Essas questões são muito interessantes para o ele, pois elas surgiram (além de por questões teóricas) de suas experiências de formador, pesquisador, de sua indignação à inércia das estruturas e à submissão dos indivíduos às ordens. A teoria analítica foi escolhida porque esta mostra as característicassingulares do ser humano que fazem dele um ser pulsional e, ao mesmo tempo, um ser social. A pulsão tem forte ligação com o conflito identificatório, pois o ser humano está constantemente dividido entre o reconhecimento de seu desejo e o desejo de reconhecimento. Somente o outro pode reconhecer seus desejos e até mesmo, se identificar com ele. O autor também fala das estruturas sociais e diz que nenhumadelas pode existir sem que seja habitada, isto é, vivida e modeladas pelo homem, que atribuem a elas um significado. Assim sendo, o social depende do discurso, da linguagem, pois é ela que irá “seduzir”, “encantar” os indivíduos, dependendo de seu caráter, de como é expressa, tendo força para que, até mesmo uma ideia contrária a priori, seja aceita posteriormente. O autor chega a falar de uma“magia” da linguagem, pois ela abrange tanto aspectos imaginários como racionais, que são fundamentais para o estabelecimento da sociedade. E mesmo que a razão possa tentar modificar as relações do desejo e ódio do outro e o “desejo de criar e de destruir”, ela nunca conseguirá fazê-los desaparecer. O homem vive e goza com seus desejos e não com suas necessidades, isso pode ser constatado em comocoisas ligadas ao campo do desejo, quando conquistadas, causam muito mais excitação do que a conquista daquilo que é necessário.

No primeiro capítulo, Enriquez fala sobre a obra “Totem e Tabu”, na qual Freud começa a se inclinar para o estudo do narcisismo, orientando seu estudo para a psicologia das massas e para a pulsão de morte. Outra marca da obra é a descentralização do foco analítico noindivíduo, se dirigindo mais para o “socius”. Sua teoria torna-se pessimista, pois coloca que para o nascimento da humanidade é preciso que um crime seja cometido em

conjunto e este é um crime do qual a humanidade jamais se libertará e que condicionará todas as relações e interações sociais futuras. O agrupamento humano surge com o assassinato do chefe de uma horda, pois antes desse acontecimento, ochefe era o que detinha todas as mulheres e o que impedia que os outros tivessem seus desejos saciados. A partir desse crime é que começa a surgir a solidariedade entre os irmãos, que sentem culpa e veneração pelo antigo chefe, que agora se torna pai. O amor e ódio por esse pai faz com que os irmãos se reconheçam, porém, estes mistificam o pai e assim ressurge em cada um o desejo de ocupar o...
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