Resenha castells

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RESENHA

CASTELLS, Manuel. “Um Estado destituído de poder?”. In. O Poder da Identidade. 3ª edição. São Paulo: Paz e terra, 1999. (A era da informação; vol. 2).

O capítulo a ser tratado - Um Estado destituído de poder? - pertence a obra “O poder da identidade”, segundo volume da trilogia “A era da informação”, de Manuel Castells. Tal obra merece ser lida por todos que pretendem entender astransformações que ocorrem no cenário global com a inserção de duas novas tendências - a globalização e a identidade - que como o autor vai demostrar, são conflitantes, e quais os impactos destas nos Estados-Nação.

O novo contexto global de fluxos de capital, produtos, serviços, tecnologias, comunicação e informação gera a perda de poder do Estado, que já não monopoliza mais a organização dotempo e espaço. O autor, neste capitulo, procura explicar as conseqüências desta nova situação que atinge o mundo, buscando exemplos pontuais para mostrar como este é um fenômeno sistêmico e global, por mais que se manifeste de diversas formas. A identidade nacional entra num embate com as identidades singulares, o poder do Estado se choca com o poder das redes globais e a globalização dasatividades econômicas, da mídia, da comunicação eletrônica e do crime coloca um novo e grande desafio ao Estado-Nação.

As diferentes unidades monetárias nacionais possuem uma interdependência com os mercados monetários de todo mundo. A coordenação sistêmica entre dólares, ienes e euros mantem uma estabilidade econômica mundial, sendo que odas as moedas, estão de certa forma ligadas a este trio. A taxade cambio, as politicas monetarias, taxas de juros e as politicas orçamentarias passam a ser interdependentes a nivel supranacional. Exemplo disto é o Bundesbank, que assumiu um papel de banco central europeu, interferindo em toda a economia da União Européia, ou o Japão, no qual a politica econômica é definida de acordo com os Estados Unidos, economicamente, o mais auto-suficiente do mundo. Atransnacionalização da produção e do comércio foge do alcance do poder do Estado sobre a economia, deixando esta a mercê das redes globais.

O novo contexto econômico de inter-relação e interdependência monta o palco para o surgimento de uma crise fiscal. Mais detalhadamente, Castells observa a evolução das finanças de alguns países o período de 1980 a 1990, sendo estes EUA, Alemanha, Japão, ReinoUnido, Espanha e Índia. Demostra que no geral, apesar do Estado não ser mais o têrmo principal na economia, ele ainda exerce importantes influências no que se refere a financiamentos complementares em todos esses países, com exceção do Reino Unido; os inúmeros empréstimos externos contraídos pelos governos tem criado uma dependência cada vez maior do capital externo, assim como o crescimento dadivida, com exceção para o Japão que se apóia em empréstimos internos, no entanto é extremamente dependente do desempenho das exportações, de superávits comerciais e da reciclagem de lucros em solo japonês, o que cria uma bolha econômica, que mais tarde vai estourar. A crise fiscal decorrente deste cenário não poupa nem as nações mais ricas, que como o demostrado, também estão totalmente envolvidasneste contexto global, influenciando e sendo influenciadas, inevitavelmente.

Outra importante conseqüência da globalização da investimento e da produção é colocar em xeque o Estado de bem-estar social, um importante componente das políticas estatais nos últimos 50 anos, que de certa forma garantia a legitimidade e soberania do Estado. O autor coloca que pensar neste tipo de política juntamentecom a globalização torna-se contraditório, já que cada empresa vai ter que lidar com mercados globalizados e integrados, ao mesmo tempo que terá que respeitar as regulamentações econômicas de sua nação. O livre comércio tem sido não só adotado, como desejado; a Organização Mundial do Comércio tem desenvolvido um sistema de fiscalização que impede a imposição de barreiras ao livre comércio,...
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