Reportagem

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  • Publicado : 18 de outubro de 2012
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‘’Chiu, é segredo… ‘’




Os casos de violência e abuso familiar são uma constante realidade existente no nosso país, sendo os casos mais difíceis de apresentar queixa originando o silêncio do sofrimento da vítima.

Verónica Gomes uma rapariga de 20 anos não foge á excepção. Vítima de abuso familiar por parte do seu avô desde os seis anos, escondeu até aos 13 anos o queacontecia. Segundo Maria João Soares, gestora do gabinete APAV (Associação Portuguesa de Apoio á Vitima) de Lisboa, afirma que a violência dentro do ceio familiar são os casos que mais tendem a ser abafados pelos familiares e vitimas ‘’ questões como vergonha por parte dos familiares da vítima, querer manter os laços familiares, medo de represálias por parte de outros e não confiar na criança, são asprincipais razões deste tipo de casos nunca serem resolvidos por entidades jurídicas ou policias’’. Segundo a técnica da associação há cada vez mais casos em que as vitimas desistem, outras que apenas fazem um telefonema e basta-lhes. ‘’ Casos em que o agressor é um parente próximo da vitima, torna-se sempre muito mais difícil de fazer a denúncia, há apenas alguns casos do género porque a própriacriança não faz a denuncia e o que os adultos fazem é tentar resolver o assunto entre família ou ocultar o que se passa’’.

O caso de Verónica é só mais um dos imensos que acontecem por dia. Desde os seis anos que ia visitar os avós maternos ao Norte. Gostava de lá ir porque tinha boas relações com os avós e vizinhos da rua, admite ser uma rapariga sociável e que facilmente gostava daspessoas assim como estas dela. Tinha um grupo de amigos no centro do país e no norte também, uma das razões por qual gostava também de ir visitar os avós. No verão, os pais trabalhavam desde manhã até á noite, Verónica por ter a idade que tinha não podia ficar sozinha na casa de Lisboa, então a mãe decidiu levá-la para casa dos próprios pais que aceitavam com todo o gosto pois a ‘’menina’’ como lhechamavam, era a única neta que tinham e davam lhe imensos mimos, ‘’até demais’’ brinca Verónica. Aparentemente eram uma família feliz, o avô de Verónica, conhecido como o ‘’ Reis’’ é considerado o Deus na terra pelos amigos e familiares. Toda a gente na pequena aldeia do Norte onde mora conhece-o e respeita-o. Apesar de ter cadastro por ter sido preso uma vez por ter trazido mercadoria ilegal deEspanha para Portugal, é alvo de muita admiração pelas pessoas. É um sujeito que pelos amigos é considerado o ‘’maior e mais bondoso homem’’ que conhecem e que pelas duas filhas e neta era capaz de enfrentar tudo e todos.

‘’As aparências iludem’’

A casa do Sr. Reis é uma vivenda com um aspecto muito familiar, tons de pastel nas paredes, quadros com fotografias do seu casamento, dasfilhas e da neta espalhados pelo corredor, sala e quartos. Na varanda era possível observar uma vista para um campo de cultivo onde predomina a cor verde transmitindo uma sensação de paz e calma para quem observa tal paisagem. A casa tem dois andares, no piso de baixo encontra-se uma sala onde o avô de Verónica ensinava- a fazer contas de matemática, o que permitiu que esta no quarto ano jásoubesse fazer contas de dividir sem ajuda e ensinamento da professora, lá em cima eram os quartos e casas de banho. A varanda era ligada por umas escadas cá fora que davam acesso á cozinha por dentro. A filha mais velha de Reis tinha uma casa ao seu lado onde utilizava para passar férias apenas no verão, no resto do ano morava em Lisboa. Nesta casa de férias havia um galinheiro em que todos os diasera preciso ir dar comer e tomar conta dos ovos destas, e sendo sempre prestável o avô de Verónica oferecia-se com todo o gosto para tratar das galinhas. No verão de 1998, com seis anos Verónica passou pela primeira vez um verão inteiro com os avós, os pais iam visitar lhe aos fins-de-semana telefonando todos os dias para a filha. Nos primeiros dias de Junho, Verónica recorda-se que foi difícil...
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