Repensando a antropologia

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  • Publicado : 26 de outubro de 2012
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I. Cronos e Crono
Meu ponto de partida neste ensaio é simplesmente time (tempo) como uma palavra da língua inglesa. E uma palavra que tem número considerável de sinônimos. Em um dicionário Inglês-Francês time é temps, siecle, saison, e muitas outras palavras mais, mas a mais próxima a time do inglês seja temps, mas beau temps não é lovely time.
Esse tipo de coisa sugere um problemainteressante, como chegamos a ter uma categoria verbal como time? Como isto se prende às nossas experiências cotidianas?
É claro que em nosso caso o tempo é um fator dado em nossa situação social. Mas suponhamos que não tivéssemos relógio, nem astronomia cientifica: como pensaríamos então a respeito do tempo? Que atributos óbvios o tempo pareceria então possuir?
Parece-me que nossa moderna noção inglesa detempo abrange pelo menos dois tipos diferentes de experiências que são logicamente distintos e até mesmo contraditórios.
Em primeiro lugar existe a noção de repetição
Em segundo lugar existe a noção da não-repetição.
Todos os aspectos do tempo, duração ou sequencia histórica são apenas derivações destas duas experiências básicas:
(a) Que certos fenômenos da natureza se repetem
(b) Queas mudanças da vida são irreversíveis.
Precisamos reconhecer que esta irreversibilidade do tempo é muito desagradável do ponto de vista psicológico. Os dogmas religiosos estão relacionados com a negação da verdade.
As religiões certamente variam muito na maneira pela qual encerram o repudio à realidade da morte; um dos estratagemas mais comuns é simplesmente afirmar que a morte e o nascimento sãoa mesma coisa. Isto parece produzir a negação do segundo aspecto do tempo, através de sua equação com o primeiro.
Parece-me que são fosse pela religião nós não tentaríamos de modo algum englobar os dos aspectos do tempo sob uma categoria única, Os eventos repetitivos e os não-repetitivos são logicamente os mesmos.
Em nosso modo convencional de pensar, todo intervalo de tempo é marcado pelarepetição; mas cada intervalo do tempo é apenas uma parte de algum outro intervalo maior de tempo que, do mesmo modo, começa e acaba repetidamente. Meu ponto de vista é que pensamos assim não pela falta de uma outra maneira possível de pensar, mas por termos uma repugnância psicológica (religiosa, portanto) em relação a contempla seja a ideia da morte seja a ideia do fim do universo.
Em algumassociedades primitivas, o processo do tempo não é sentido, de modo algum, como uma sucessão de durações de época; pelo contrario, o tempo é experimentado como algo descontínuo, uma repetição de inversões repetidas, uma sequencia de oscilações entre opostos polares: dia e noite, inverno e verão, todo o passado é igualmente passado; simplesmente o oposto de agora.
É a religião e não o senso comum quepersuade os homens a incluir tantas e tais oposições sob uma categoria única tal como o tempo.
A noção de que o processo do tempo é uma oscilação entre opostos – entre dia e noite ou entre a vida e a morte – implica na existência de terceira entidade: a “coisa” que oscila, o “eu” que em um momento está na luz do dia e em outro na escuridão, a “alma” que em um momento está no corpo vivo e no outrona sepultura.
O ponto que quero enfatizar é que este tipo de animismo envolve uma concepção particular da natureza do tempo e, por isso, a mitologia que justifica uma crença na reencarnação é também, por outro ângulo, uma representação mitológica do próprio “tempo”.
Podemos “ver” o tempo num relógio: não podemos ver as almas das pessoas; para nós as almas são mais abstratas do que o tempo. Maspara os gregos, que não tinham relógios, o tempo era uma abstração total, enquanto que a alma era considerada como sendo de uma substancia material que consistia do tutano da espinha e da cabeça, formando uma espécie de essência concentrada do sêmen masculino. Usando uma metáfora concreta, é basicamente a metáfora do coito sexual, do fluxo e refluxo da essência sexual entre o céu e a terra (com a...
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