Pdf cultura religiosa.

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Umberto Eco e Carlo Maria Martini
(Arcebispo de Milão )

Em que crêem os quais não crêem?
Um diálogo sobre a ética no fim do milênio

Com a intervenção de Emanuele Severino Manlio Sgalambro Eugenio Scalfari Vittorio Foa Indro Montanelli Claudio Martelli

Tradução de Carlos Gumpert Melgosa © 1996, Atlantide Editoriale S. P. A. © 1997, EDIÇÕES TEMAS DE HOJE, S.A (T.H.) Edição em espanholrealizada com a mediação da Agência Letteraria Eulama Título original: In cosa crede chi non crede? Passeio da Castelhana, 28. 20046 Madrid Desenho de capa: Rudesindo de la Fonte Fotografias de capa: Cover (Umberto Eco) e Contífoto (Carlo Maria Martini) Primeira edição: outubro de 1997 ISBN (edição italiana): 88-86838-03-4 ISBN (edição espanhola): 84-7880-876-0 Composto no J. A. Desenho Editorial,S. L. Reimpressão para Editorial Planeta Argentina S.A.I.C. Independência 1668, 1100, Bs. As. Primeira edição argentina: maio de 1998

ISBN: 950-730-039-2 Impresso na Argentina

EM QUE CRÊEM OS QUE NAO CRÊEM? Autor: MARTINI, CARLO MARIA Autor: ECO, UMBERTO Editora: RECORD Assunto: FILOSOFIA ISBN : 8501055271 ISBN-13: 9788501055279 Livro em português Brochura 1ª Edição - 1999 - 160 pág.Este livro O diálogo epistolar entre o cardeal Carlo Maria Martini e Umberto Eco, que ocupa a primeira parte do presente livro, deu começo no primeiro número da revista Liberal — aparecido em 22 de março de 1995 — e prosseguiu com ritmo trimestral. As oito cartas deste epistolário público — intercambiadas e respondidas com admirável pontualidade pelos dois correspondentes — aparecem aqui com a datade sua redação efetiva. O interesse que despertou entre os leitores e o eco obtido em toda a imprensa pelos temas tratados no curso de um ano — especialmente o último, o mais amplo e atrevido — fizeram aconselhável ampliar a discussão a outros interlocutores implicados por uma ou outra razão no tema: dois filósofos (E. Severino e M. Sgalambro), dois jornalistas (E. Scalfari e I. Montanelli) e doispolíticos (V. Foa e C. Martelli). Suas «variações» apareceram no número 12 (março de 1996). Por último, ao cardeal Martini foi proposta, não uma (impossível) conclusão ou síntese, a não ser, a recapitulação de alguns pontos determinantes. Uma réplica com funções de clarificação e, por que não?, de ulterior relançamento. Os escritos aqui recolhidos reproduzem exatamente os textos da primeiraedição, com emenda de umas poucas erratas e com novos títulos a cargo da redação da revista.

A obsessão laica por um novo Apocalipse
Querido Carlo Maria Martini: Confio em que não me considere desrespeitoso se dirigir a você lhe chamando por seu nome e sobrenomes, e sem referência aos hábitos que viu. Entenda-o como um ato de comemoração e de prudência. De comemoração, porque sempre me chamou aatenção o modo no qual os franceses, quando entrevistam a um escritor, a um artista ou a uma personalidade política, evitam usar apelidos reduzidos como professor, eminência ou ministro, a diferença do qual fazemos na Itália. Há pessoas cujo capital intelectual lhes vem dado pelo nome com o que assinam as próprias idéias. Deste modo, quando os franceses se dirigem a alguém cujo maior título é o próprionome, fazem-no assim: «Dites-moi, Jacques Ma-ritain», «dites-moi, Claude LéviStrauss». É o reconhecimento de uma autoridade que continuaria sendo tal, embora, o sujeito não tivesse chegado a embaixador ou a acadêmico da França. Sim eu empaturrei-me de dirigir-me à Santo Agostinho (e confio em que tampouco desta vez me considere irreverente por excesso) não lhe chamaria «Senhor bispo de Hipona»(porque outros depois dele foram bispos dessa cidade), a não ser, «Agostinho de Tagasta». Ato de prudência, disse além disso. Efetivamente, poderia resultar embaraçoso o que esta revista requereu a ambos, quer dizer um intercâmbio de opiniões entre um laico e um cardeal. Poderia parecer como se o laico quisesse conduzir ao cardeal a expressar suas opiniões quanto ao príncipe da Igreja e pastor...
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