Relativizando

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - TURMA 405011-G0
CARLOS ALBERTO GARCIA LEITE SEGUNDO
DISCIPLINA: ANTROPOLOGIA I
PROFº.: LUIZ GUSTAVO

RELATIVIZANDO: UMA INTRODUÇÃO À ANTROPOLOGIA SOCIAL – ROBERTO DA MATTA

PRIMEIRA PARTE
A ANTROPOLOGIA NO QUADRO DAS CIÊNCIAS

De princípio, o autor faz uma abordagemum tanto quanto propedêutica, sendo assim, indispensável para a compreensão das questões que serão elucidadas posteriormente. Essa abordagem inicial trata da importante diferenciação das Ciências Naturais e Ciências Sociais.
As Ciências Naturais são aquelas que, segundo Da Matta, estudam fatos simplórios, que possuem causas simples e são simplesmente isoláveis. E, em decorrência disso, esses fatosseriam recorrentes e sincrônicos, ou seja, estariam ocorrendo neste exato momento. Com tudo isso, Da Matta quis dizer claramente que as ciências naturais consistem em um conjunto de fenômenos que se repetem e têm uma constância verdadeiramente sistêmica, isto é, podem ser vistos, isolados e assim, reproduzidos em laboratório. Considerando essa reprodução dos fenômenos em laboratório, tem-se umapeculiaridade inerente às ciências naturais. Isso porque, é através do laboratório que são realizados os testes para se provar uma teoria. Logo, esses testes, realizados repetitivamente e sendo observadas as exigências dos observadores, caracterizam a objetividade, não somente das ciências naturais, mas também da Ciência, como um todo.
Em contrapartida, observa-se que as Ciências Sociais tomam ocaminho oposto. Isso se dá pelo fato de elas se ocuparem do estudo de fenômenos complexos, situados em planos de causalidade e determinação complicados, como a realidade humana e social, por exemplo. Sendo dessa forma, difíceis os isolamentos de causas e motivações, visto que não se pode determinar com precisão uma causa única e uma motivação exclusiva. Então, pode-se afirmar que, as ciênciassociais consistem em eventos com determinações complicadas e que podem ocorrer em diferentes ambientes, tendo, devido a isso, a possibilidade de mudar seu significado de acordo com o agente, com as relações existentes num dado momento e, ainda, com a sua posição numa cadeia de eventos anteriores e posteriores. Frente a isso, conclui-se que os fenômenos não podem ser reproduzidos em condiçõescontroladas, como nas ciências naturais. Pode surgir a pergunta: Mas como as ciências sociais provam as suas teorias? Para tal, tem-se a resposta: Através de racionalizações ou perspectivas mais exatas para os problemas percebidos, ainda que esses problemas não sejam realmente objetivados com muita clareza, como nas ciências naturais.
Ao decorrer do texto, percebe-se que o autor, dentre todas essasdiferenças já citadas, dá maior relevância a uma, em específico. A de as ciências sociais ocuparem-se do estudo de fenômenos que são inerentes à realidade próxima do ser humano. Estudo esse que não é, em absoluto, simples e objetivo, como nas ciências naturais. É interessante uma ilustração feita por Da Matta, quando ele retrata teorias formuladas sobre as baleias. Nessas teorias não há uma relação diretaentre o investigador e a baleia, isto é, suas teorias não são capazes de modificar o comportamento desse mamífero. Está nesse ponto, então, a diferença crucial entre essas duas formas de ciência, visto que nas ciências sociais há uma interação complexa entre o investigador e o sujeito investigado, situados em uma mesma escala, ou seja, compartilhando o mesmo universo de experiências humanas.Posto isso, é evidente a nossa passividade de transformação, sendo possível tornarmo-nos, por exemplo, membros de outras sociedades, adotando seus costumes, categorias de pensamento e classificação social, obedecer ou modificar suas leis, adotar sua língua, dentre outros.
Seguindo a ordem cronológica do livro, infere-se o porquê do título do livro. “RELATIVIZANDO”. Essa relativização dá-se quando...
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