Reforma anglicana

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Henrique VIII e a Reforma Anglicana

Há dois anos, isto é, em 2008, estreou o filme “A Outra”, dirigido pelo cineasta inglês Justin Chadwick. No Brasil, o sucesso do filme ajudou a divulgar a vida de Ana Bolena (Natalie Portman), esposa de Henrique VIII (Eric Bana), cujo casamento, no século XVI, ilícito aos olhos da Igreja Católica, deu origem à Igreja Anglicana.
No Brasil, os anglicanos seestabeleceram definitivamente em 1890, quando os missionários norte-americanos Lucien Lee Kinsolving e James Watson Morris realizaram o primeiro culto na capital gaúcha. Já no dia 10 de junho de 2009, foi a vez do global Programa do Jô entrevistar o reverendo anglicano Aldo Quintão, cujo sucesso de audiência pode ser constatado pela divulgação da entrevista no sítio do Google, YouTube, cujos vídeosultrapassam cinco mil visualizações.
Atualmente, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil conta com mais de 100.000 adeptos em todo país. Os anglicanos também foram os antecedentes dos batistas e metodistas. Juntos, formam um grupo com mais de três milhões de seguidores no Brasil. Este artigo, portanto, objetiva fazer alguns apontamentos a respeito da reforma religiosa inglesa do século XVI,promovendo um diálogo entre os autores Justo Gonzalez, Martin Dreher, Guido Zagheni e Carter Lindberg.
O contexto das reformas no século XVI
Antes de abordamos a reforma inglesa especificamente, é importante contextualizarmos o recorte que fizemos. Na Europa, o século XVI foi marcado por intensas disputas religiosas entre os cristãos. A mais conhecida foi a deflagrada pelo monge agostiniano MartinhoLutero que, em 31 de outubro de 1517, publicou suas 95 teses. Esse evento tornou-se o marco inicial da
1 Bacharel e licenciado em História pela Universidade Federal de Goiás, Bacharel em Teologia pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro e mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
denominada Reforma Protestante, também conhecida como Reforma Luterana. Logo emseguida, ocorreram também as reformas de Calvino, com foco em Genebra, Zwinglio, com foco em Zurique, os anabatistas, com foco em Münzter, a contra-reforma católica, com o concílio de Trento, e a Reforma Anglicana, liderada por Henrique VIII, que, pouco investigada no Brasil, será nosso objeto específico neste artigo.
Já no século XII, na Europa, encontramos uma urbanização que foi intensificada apartir do século XIV. As possibilidades de ascensão social que as cidades ofereciam atraíram muitos moradores novos. No entanto, nem todos esses novos moradores foram beneficiados, resultando, no século XVI, em um enorme número de marginalizados urbanos. Mesmo assim, a urbanização proporcionou também uma drástica mudança na economia, quando a base agrária foi sendo substituída pelo comércio e pelaeconomia monetária.
Além da urbanização e do desenvolvimento do comércio, a Europa do século XVI se recuperava da crise causada pela fome nos séculos anteriores. Após uma fase de prosperidade A, a Europa ocidental entrou numa fase B depressiva, que se estenderia até princípios do século XVI. Ou seja, o incremento da produção de alimentos durante a fase A serviu de nutriente para o aumento dapopulação que, na fase B, superou a base agrária que a possibilitara. Isso fez com que, no século XVI, grande parte da população passasse por fome e escassez.
Além do problema da fome, a Europa também era severamente afetada pelas pestes. Interessante que os problemas que afligiam a Europa estavam interligados com as mudanças. Isto é, a mudança com a passagem da população para as cidades fez com que aconcentração urbana de pessoas difundisse as doenças de forma mais rápida e eficaz.
Apesar de ter sido mais intensa no século XIV, no século XVI, durante as reformas, tais pestes não tinham deixado de ser um perigo real. Como se não fosse suficiente os problemas causados pela fome e pelas doenças, para agravar ainda mais a realidade, vieram as guerras. Em 1453, 64 anos antes da explosão da...
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