Psicologia

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UNIDADE II
O CONHECIMENTO

CAPÍTULO 4
LINGUAGEM, CONHECIMENTO, PENSAMENTO

A função do nome se limita sempre a ressaltar um aspecto particular de uma coisa, e é precisamente desta restrição e desta limitação que depende seu valor.

Não é função do nome referir-se exaustivamente a uma situação concreta, mas apenas destacar e mencionar certo aspecto. O isolamento deste aspecto não é um atonegativo, mas positivo, porque no ato de denominação escolhemos, no meio da multiplicidade e difusão dos nossos dados sensoriais, certos centros fixos de percepção que não são os mesmos do pensamento lógico ou científico. (E. Cassirer)

Apesar de haver muitos modos de conhecer o mundo, através do mito, da arte, da ciência, cada um deles com sua linguagem específica, é através da linguagemverbal que melhor se manifesta o pensamento abstrato que faz uso de idéias e conceitos gerais. Por isso, vamos começar nossa discussão exatamente caracterizando a linguagem verbal.

1. A linguagem como atividade humana

Considerando o homem um ser que fala e a palavra a senha de entrada no mundo humano, vamos examinar mais profundamente o que vem a ser a linguagem especificamente humana.

Alinguagem é um sistema simbólico. O homem é o único animal capaz de criar símbolos, isto é, signos arbitrários em relação ao objeto que representam e, por isso mesmo, convencionais, ou seja, dependentes de aceitação social. Tomemos, por exemplo, a palavra casa. Não há nada no som nem na forma escrita que nos remeta ao objeto por ela representado (cada casa que, concretamente, existe em nossas ruas).Designar esse objeto pela palavra casa, então, é um ato arbitrário. A partir do momento em que não há relação alguma entre o signo casa e o objeto por ele representado, necessitamos de uma convenção aceita pela sociedade, de que aquele signo representa aquele objeto. É só a partir dessa aceitação que poderemos nos comunicar, sabendo que, em todas as vezes que usarmos (Charles M. Schultz, And aWoodstocts o a Birch Tree.) a palavra casa, nosso interlocutor entenderá o que queremos dizer. A linguagem, portanto, é um sistema de representações aceitas por um grupo social, que possibilita a comunicação entre os integrantes desse mesmo grupo.

Entretanto, na medida em que esse laço entre representação e objeto representado é arbitrário, ele é, necessariamente, uma construção da razão, isto é,uma invenção do sujeito para poder se aproximar da realidade. A linguagem, portanto, é produto da razão e só pode existir onde há racionalidade.

A linguagem é, assim, um dos principais instrumentos na formação do mundo cultural, pois é ela que nos permite transcender a nossa experiência. No momento em que damos nome a qualquer objeto da natureza, nós o individuamos, o diferenciamos do resto que ocerca; ele passa a existir para a nossa consciência. Com esse simples ato de nomear, distanciamo-nos da inteligência concreta animal, limitada ao aqui e agora, e entramos no mundo do simbólico. O nome é símbolo dos objetos que existem no mundo natural e das entidades abstratas que só têm existência no nosso pensamento (por exemplo, ações, estados ou qualidades como tristeza, beleza, liberdade).O nome tem a capacidade de tornar presente para a nossa consciência o objeto que está longe de nós.

O nome, ou a palavra, retém na nossa memória, enquanto idéia, aquilo que já não está ao alcance dos nossos sentidos: o cheiro do mar, o perfume do jasmim numa noite de verão, o toque da mão da pessoa amada; o som da voz do pai; o rosto de um amigo querido. O simples pronunciar de uma palavrarepresenta, isto é, torna presente à nossa consciência o objeto a que ela se refere. Não precisamos mais da existência física das coisas: criamos, através da linguagem, um mundo estável de idéias que nos permite lembrar o que já foi e projetar o que será. Assim é instaurada a temporalidade no existir humano. Pela linguagem, o homem deixa de reagir somente ao presente, ao imediato; passa a poder...
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