Psicologia

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I - Introdução
O ismaelismo reformado de Alamut surgiu no século XI graças à figura legendária de Hassan ibn Sabbah, conhecido no Ocidente como "o velho da montanha".
Na fortaleza de Alamut - o ninho da águia, em 1126, Hassan Sabbah estabeleceu a sede de uma seita que estendeu sua influência por amplas regiões do Oriente, e que só terminou com a conquista de Alamut pelos mongóis, em 1256.
Oesoterismo islâmico apresenta duas correntes principais: o shiismo e o ismaelismo. E se "La doctrine ismaéliène" é "la forme par excellence de la gnose en Islam" ["A doutrina ismaelita é a forma por excelência da gnose no Islam"] (Henry Corbin, Histoire de la Philosophie islamique, vol. I, p. 118 - Gallimard, Paris, 1964), a seita de Alamut, um dos ramos do islamismo, é, talvez, a mais tipicamentegnóstica do ismaelismo.
A tomada da fortaleza de Alamut pelos mongóis de Houlagou acarretou a destruição da biblioteca e dos escritos de Hassan Sabbah, por ordem do historiador Djouénny, a serviço de Houlagou. Desde então, só restou a lenda de Alamut que cercou a figura de Hassan Sabbah de um anedotário rocambolesco, misterioso, que dificultou o conhecimento histórico real de sua doutrina.
Asrecentes descobertas de textos de Hassan Sabbah, entre remanescentes do ismaelismo na Índia, permitiram um conhecimento mais definido do pensamento gnóstico do Velho da Montanha. Deve-se isto aos trabalhos de Ivanow e de Henry Corbin; este último, um adepto ocidental do shiismo.
Ainda assim, os danos produzidos pela destruição mongólica foram tais, que muitos pontos da doutrina e da história deHassan Sabbah continuarão para sempre indecifráveis, contribuindo, desse modo, para que as brumas da lenda e do mistério continuem envolvendo a fortaleza de Alamut e a figura enigmática do Velho da Montanha.
II - O esoterismo islâmico
Para se entender o problema do esoterismo islâmico é preciso considerar duas coisas:
1- um problema interno e fundamental do Islam, que é o da exegese corânica.
2-as influências externas que contribuíram para a formação da gnose maometana.
1 - O problema da exegese corânica
O Islam é uma religião que tem por base um livro sagrado, que teria sido revelado por Allah a Maomé.
Maomé era analfabeto, e ditou a revelação a seus discípulos ao longo de muitos anos. Das notas de seus discípulos é que ter-se-ia elaborado o Corão.
O Islamismo é uma religiãoprofética, e ele não se constitui como uma sociedade religiosa eclesial. O Islam não é uma Igreja. Ele não possui nem clero, nem uma hierarquia docente, como a que existe na Igreja Católica; e, principalmente, no Islam não há um papa que detenha a autoridade magisterial suprema.
Isto cria para o Islam um problema doutrinário, semelhante ao que existe entre os protestantes, a respeito do qual seja overdadeiro sentido do Livro. Era fatal surgir o problema da busca do sentido verdadeiro e oculto do Livro, visto que a linguagem humana, necessariamente, utiliza termos unívocos, análogos e equívocos.
Como determinar, então, num texto, qualquer que ele seja, o sentido de uma palavra? Não havendo autoridade magisterial para definir o sentido da Revelação, torna-se fatal, também, a multiplicação deinterpretações e, principalmente, a distinção de dois sentidos fundamentais: um, literal ou exotérico, para o vulgo; e outro, mais profundo e esotérico, para os mais sábios.
Desta distinção surgirão, evidentemente, dois tipos de fiéis: os comuns, que se contentam com a "casca" da Revelação; e os "eleitos", que se alimentam do núcleo da Revelação e que formarão uma elite ou seita de escolhidos.
NoIslam, se distinguem então: a Shariat, ou religião positiva, exotérica e literalista; e a Hagiqat, religião esotérica que possuiria o verdadeiro sentido do Corão.
A Shariat, religião positiva, é o símbolo que contém a Hagiqat, ou simbolizado.
Para conhecer o sentido verdadeiro e esotérico do Corão seria preciso: ou ter uma iluminação divina pessoal, ou receber a iluminação de um guia, por meio...
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