Psicologia do self

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  • Publicado : 18 de janeiro de 2013
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Psicologia do Self
Muito houve-se falar sobre Sigmund Freud (1856-1939) e a psicanálise clássica, mas infelizmente pouco conhecemos sobre psicanalistas que revolucionaram conceitos freudianos e transformaram as práticas psicoterápicas. Um exemplo que vale muito ser mencionado é o de Heinz Kohut (1913-1981), o criador da Psicologia do Self.

Kohut foi pioneiro em discordar sobre as pulsõessexuais e as pulsões agressivas, que segundo Freud seriam as causas das resistências durante a terapia. Para evitar a angústia e a culpa que seriam geradas caso o conteúdo dessas pulsões recalcadas viessem a tona, o paciente, segundo Freud, num mecanismo natural e inconsciente, se colocaria resistente a abordar na terapia determinados temas do seu passado. Seria como falar sobre tabus ou assuntos quegeram extremo desconcerto, por ainda não estamos preparados para lidar.

Kohut abordou o tema da resistência sob outra ótica, dando ao narcisismo um papel fundamental. Para ele, grande parte das patologias neuróticas (depressão, ansiedade, fobias, etc) seriam geradas por distúrbios narcísicos de personalidade, aqueles que tem a ver com nossa imagem e ego, no sentido mais comum da palavra.

Avisão kohutiana sobre o nascimento e o desenvolvimento do bebê é capaz de nos despertar, como em um clique, para o universo pouco explorado da mente humana, de uma maneira simples e realista, trazendo luz para a relação terapeuta-paciente. Com extrema humanidade, esse nobre psicanalista lançou mão do conceito de "empatia" e o introduziu oficialmente nas práticas psicoterapêuticas.

O início davida e as vivências relacionais do bebê, sobretudo as narcísicas, seriam de extrema importância para o desenvolvimento do que Kohut chamou de "self". Buscando compensar os traumas do nascimento e das demoras no atendimento de suas necessidades básicas, o bebê se utilizaria de duas táticas para manter coeso (saudável) o seu self.

Numa delas, através da criação de uma imagem idealizada da figuracuidadora (pai, mãe, etc) e fusão a ela, o bebê encontraria a suposta perfeição e segurança necessárias à sua estabilidade. Ele precisaria acreditar na fortaleza que consistiria aquele adulto diante de si, e sentir-se parte dele. A essa necessidade narcísica Kohut deu o nome de "imagem perental idealizada".

A outra tática ficou conhecida como "self grandioso" ou exibicionista, que secaracterizaria por apresentar uma necessidade latente de um selfobjeto especular (espelho) para enxergar-se valioso. Em outras palavras, os elogios e aplausos dos pais (o espelho onde a criança se enxerga) supririam essa demanda narcísica protetora do self.

De forma magnificamente simples, Kohut conclui descrevendo os distúrbios narcísicos de personalidade como resultado das paradas de desenvolvimentodo self, causadas pelas falhas no suprimento das duas demandas acima mencionadas. Inúmeros casos clínicos lastreiam e ilustram a sua teoria que acabou por consolidar-se através da Psicologia do Self.

Com a reformulação da teoria, que transformações sofreriam as práticas terapêuticas? Voltando ao assunto das resistências, o psicólogo precisaria mudar a sua abordagem em relação a elas, que antesse apresentavam como um empecilho à evolução do tratamento. Na nova concepção kohutiana, as resistências seriam fruto de necessidades infantis não atendidas, e que seriam responsáveis pelas paradas no desenvolvimento do self. A terapia se tornaria então o espaço criado para a retomada desse desenvolvimento, proporcionando através da transferência (relação do paciente com o analista) a revivênciadas carências inconscientes do paciente.

O analista passa a assumir no processo de transferência o papel tanto de selfobjeto especular com de imagem parental idealizada, sempre conforme as necessidades do paciente. Necessidades essas percebidas pelo movimento empático do terapeuta. Kohut deu especial destaque à empatia, descrevendo-a como ferramenta necessária à observação do paciente. Numa...
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