Pesquisa de campo

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JULIANA TIEMI TSUKAMOTO
KYSY AMARANTE FISCHER
SORANE CRISTINA DOS SANTOS INÁCIO


















ENTRAR PRA HISTÓRIA É COM VOCÊS: um mini-campo com os boa praça da praça Santos Andrade

Trabalho acadêmico apresentado à disciplina de Antropologia das Sociedades Complexas, setor de Ciências Humanas Letras e Artes, graduação em Psicologia,Turma B, Universidade Federal do Paraná.


Prof.ª Ms. Martina Ahlert









CURITIBA
2012


Nossa consigna inicial foi realizar um trabalho inspirado na etnografia, estranhar ou familiarizar-se com o “tema” estudado, e principalmente entender que sentido as pessoas dão ao que fazem. A proposta do nosso trabalho foi estabelecer um contato comas pessoas em situação de rua que frequentemente estão na praça Santos Andrade. Quando olhamos para pessoas que vivem, ou passam a maior parte do dia em lugares como esse, é quase automática a suposição de que elas estão lá pelo mesmo motivo. Ao encontrarmos essas pessoas, pretendíamos fazer o possível para ignorar esses conceitos pré-estabelecidos em relação àqueles que não se vestem como nós, nãocomem como nós, não cheiram como nós, não vivem como vivemos, não dão importância àquilo que julgamos tão necessário. Contudo, assumimos em nossas considerações o fato de que olhamos para o que olhamos através das lentes da nossa cultura.
Fomos então no dia 04 de outubro de 2012, rumo ao estranhar o familiar/familiarizar com o estranho. Numa tentativa daquilo que Roberto Da Matta chama dedivórcio, entre nós pesquisadoras e o grupo (DA MATTA, 1975, p. 23). Fez-se necessário, desconsiderar o que carregávamos conosco enquanto supostos conhecimentos e dar chance ao conhecimento vivenciado, aquele que vai além do conhecimento universal e midiatizado, aquele que experimentamos em nossa subjetividade enquanto pesquisadoras. Na nossa escrita, consideramos também, a afirmaçao de Da Matta:Nunca ou muito raramente se pensa em coisas específicas, que dizem respeito à minha experiência, quando o conhecimento é permeabilizado por cheiros, cores, dores e amores, perdas, ansiedades e medos, todos esses intrusos que os livros, sobretudo os famigerados "manuais" das Ciências Sociais tentam por ignorar. (DA MATTA, 1975, p. 23).


Chegamos às 14h na praça.Nossa primeira dúvida era quem escolher. A praça estava repleta de pessoas. Sentadas em bancos, deitadas na grama, perambulando, brigando. Sentamos em um banco, em dúvida e com medo. O que eles vão pensar de nós? Por que três meninas da UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ – que já se impõe enquanto arquitetura sobre os passantes – vão “estudar” os que ali estão. Outra dúvida era como contar o que iríamosfazer, que palavras poderíamos usar para não ofender nem assustar. De repente nos vimos sentadas mudando de assunto para tardar mais o momento de estabelecer contato. Um grupo se concentrou em frente ao chafariz.  E, quando nos levantamos para ir em direção à eles, percebemos o nosso primeiro preconceito. Como faríamos para ficar sentadas ali com nossos computadores, celulares, dinheiro doaluguel, etc. ao lado das pessoas das quais desviamos diariamente para não sermos assaltadas. Novamente desviamos do nosso objetivo. Fomos até o prédio histórico e deixamos nossas coisas lá.
Ao voltar à praça, mais livres das “coisas” pudemos chegar mais perto deste mundo em que “coisas” não importam muito. O primeiro contato foi feito com um jovem senhor chamado Roberto de 37 anos. O campoiniciou com a sutileza de uma boa conversa. Ele havia acabado de abrir sua quentinha - que ele e os companheiros ganhavam diariamente de um restaurante das proximidades, desde que não fizessem arruaças em frente ao local - e ficou sem jeito de comer na nossa frente. Havia acabado de levar a boca uma porção de comida sobre um talher improvisado feito com a tampa da marmita, quando a abandonou sobre a...
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