Parnasmo e parnasianismo

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 11 (2740 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 11 de setembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Parnasmo e Parnasianismo

O Parnasianismo deve ser entendido como o ápice de um longo processo de
realização ao sentimentalismo piegas e à frouxidade dos versos dos últimos
românticos. Esta reação inicia-se no Brasil desde os anos 60, por influência da
Questão Coimbrã e da conseqüente publicação de obras realistas na poesia portuguesa
como Visão dos Tempos, de Teófilo Braga (1864) e OdesModernas de Antero de
Quintal. O momento crucial da luta contra o “uso profissional e imoderado das
lágrimas” que “ofende o pudor dos sentimentos mais sagrados, segundo a expressão
de Leconte de Lisle, é quando, em 1878, os novos desfecham contra os velhos uma
violenta campanha em versos agressivos de má qualidade pelas páginas do Diário do
Rio de Janeiro. Os poetas de então, cujos nomes seacham hoje em sua maioria no
mais solene esquecimento devido à fraqueza inconteste de um homem de gênio
chamado Artur de Oliveira. A essa altura os epígonos românticos mais visados pelos
defensores da IDÉIA NOVA eram Rosendo Munis e Melo Morais. Falou-se também,
sempre em versos, contra “Abreus e Varelas”, “As Falenas do Assis” e a “Nebulosa”,
de Joaquim Manuel de Macedo. Esta polêmica ficouconhecida como A BATALHA
DO PARNASMO, assim chamada por travar-se em versos. De parnasianismo, no
entanto nada tinha o ideal que os impulsionava: poesia participante que pregasse a
justiça, a república fraternal e exaltasse o progresso, realizada, aliás, antes deles com
talento e de maneira convincente por um romântico chamado Castro Alves. A IDÉIA
NOVA dilui-se também numa certa poesiacientífica que encontra em Martins Júnior
seu defensor mais aplaudido e imitado.
O Parnasianismo, tal como hoje o concebemos, só se definiria, no entanto, na
década de 80 (séc. XIX), com poetas de talento, porém, não de gênio, como Alberto
de Oliveira (Meridionais, 1884), Raimundo Correia (Versos e Versões, 1887) e Olavo
Bilac (Poesias, 1888). Estes, fiéis seguidores da Arte pela Arte de TheóphileGauthier,
dariam a feição mais característica à nossa poesia anti-romântica, não tanto pelo
abandono do sentimentalismo quanto pela instauração de um novo estilo artístico.

Contenção Lírica

Para desidentificar-se da antiquíssima síntese entre eu e o mundo, para
introduzir um hiato entre essas duas instâncias unitárias do real, o narrador parnasiano
(o eu lírico) procura transformar a poesiaem puro trabalho, artefato, construção.
Transformada em produto de trabalho, a poesia mostrará sua independência em
relação àquele que o produziu. Insinua-se a metáfora do ourives, que pacientemente
modela sua jóia, sem se confundir com ela. O parnasianismo não percebe que a
ourivesaria tem a vantagem do requinte e da raridade, mas a tremenda desvantagem de
ser supérflua relativamente àquiloque é fundamental à existência do homem. Isto
também traduz uma obsessão pelo adorno e um esquecimento das verdadeiras
essências históricas. O parnasianismo não capta a história naquilo que ela tem de
revelador e inédito, mas em seus fogos de artifício; não penetra naquilo que é interno e verdadeiro no processo da vida, mas naquilo que é logro e ostentação sob a máscara
da beleza e doprestígio.

Mito da Objectualidade

Os novos poetas querem apreender descritivamente o real, sem perceber que
confundem a realidade - que é complexa, sutil, movediça - com o mecânico e estático
das coisas. Há uma ânsia por aquilo que é exterior e particularizado, especialmente
aquilo que desfrute de algum prestígio na hierarquia médio-burguesa do “bom gosto”:
vasos gregos, recantos aprazíveis,“naturezas-mortas”, monumentos, medalhas, velhos
alfarrábios, besouros esvoaçantes, dedos deslizantes sobre o teclado, histórias de
mandarins, orgias gregas, bacanais latinos, rubis engastados no firmamento... É o
gosto do exótico, do diferente - pelo prazer da raridade. Ora, um dos aspectos mais
repelentes da vulgaridade é o esforço medido e planejado para fugir dela. A obsessão
do...
tracking img