Os recursos para um bom adestramento

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  • Publicado : 13 de maio de 2012
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Os recursos para o bom adestramento


Este capítulo mostra como o poder disciplinar passou a adestrar a sociedade ao invés de apropriar e retirar. Adestrando multidões que o próprio autor passa a chamá-las de confusas, móveis e inúteis de corpos e forças para reduzi-las, ele discute como essas práticas avaliativas tornaram-se dispositivos de vigilância permanente e de bom adestramento“transformando” corpos e mentes. Discute também o jogo de poder/saber que se evidencia no exame, na forma de sujeição dos alunos as regras estabelecidas na escola e o que é “aceitável” ou não, pela sociedade para transformar algo em saber escolarizável. Como o próprio Foucault cita:
“O exame combina as técnicas da hierarquia que vigia e as da sanção que normaliza” (p. 154). “A escola torna-se umaespécie de aparelho de exame ininterrupto que acompanha em todo o seu comprimento a operação do ensino” (p. 155).

A Vigilância Hierárquica

No tópico sobre a vigilância hierárquica, Foucault apresenta ao leitor como se desenvolveu na época clássica as técnicas de vigilância, os olhares que viam sem serem vistos, os observatórios da multiplicidade humana, que buscavam um novo saber sobre o homem,através de técnicas que o submetessem e permitissem a sua utilização. Mostra também como a arquitetura passa a permitir o controle interior e articulado e não apenas vigiar o espaço exterior ou ser admirada. Assim, têm-se uma arquitetura que opera na transformação dos indivíduos.
O autor faz uma analogia entre os “observatórios” com o acampamento militar onde afirma que:
“No acampamentoperfeito, todo o poder seria exercido somente pelo jogo de uma vigilância exata; e cada olhar seria uma peça no funcionamento global do poder”. (p. 144)
Essa comparação é feita à partir de elementos que o autor exemplifica no texto, com as disposições desses lugares como as suas filas, as suas colunas, a distribuição espacial das tendas, as geometrias entre outros.
Assim, Foucault considerava que haviauma esperança de militarizar a sociedade, uma forma de disciplina única, o que implicava a vigilância hierárquica, a sanção normalizadora e o exame, como formas de adestramento dos corpos e das mentes por primazia.

A Sanção Normalizadora

Nesse tópico Foucault analisa o contexto histórico das formas de penas e punições. Era aceitável o fato de que a prisão era a única forma de punircorretamente em todos os âmbitos. Como o próprio autor cita:
“Na oficina, na escola, no exercito funciona como repressora toda uma micropenalidade do tempo (...), da atividade (...), da maneira de ser (...), dos discursos (...), do corpo (...), da sexualidade (...). Ao mesmo tempo é utilizada, a titulo de punição, toda uma série de processos sutis, que vão do castigo físico leve a privações ligeiras e apequenas humilhações... levando ao extremo, que tudo possa servir para punir a mínima coisa; que cada indivíduo se encontre preso numa universalidade punível - punidora”. (p.149)
Os reformadores não aceitavam essa idéia porque a mesma aparecia marcada pelos abusos do poder tirânico do soberano, e assim, pediram a sua anulação. Mesmo assim, algumas dezenas de anos mais tarde, a prisão mudou deestatuto. O Império adotou o aprisionamento como medida certa e elaborou uma grande prisão, adaptada aos espaços existentes da divisão administrativa, uma vasta arquitetura, complexa e hierarquizada, integrada no corpo do aparelho do Estado. O velho patíbulo do corpo do torturado abre lugar a um espaço totalmente novo, a uma física do poder totalmente diferente, a uma maneira totalmente diferente deabalar o corpo do homem. Os enormes muros da prisão passam a simbolizar os novos castelos da ordem civil, na França e por toda a Europa.
Desta forma, na época clássica foram construídos os grandes modelos do encarceramento punitivo. Os instrumentos utilizados não eram mais os discursos, os sinais, as mensagens implícitas, como na época dos suplícios, mas formas de coerção, esquemas de...
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