Pesquisas voluntarias

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Mana vol.15 no.2 Rio de Janeiro Oct. 2009
http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93132009000200009

Pesquisando no perigo: voluntárias e não acidentais*
Alba Zaluar

etnografias

Professora titular de antropologia do Instituto de Medicina Social, UERJ. E-mail:

RESUMO O artigo discute a questão do relativismo cultural que assume caráter polêmico na passagem do milênio, principalmente nasdivergências surgidas sobre o que fazer diante dos dilemas postos pelos novos sujeitos-objetos e dos impasses advindos da difusão planetária de posturas universalistas. Novos problemas e dilemas éticos se antepuseram ao fazer antropológico: o que são direitos humanos e qual o seu alcance entre nativos não ocidentais; quem conta como pessoa humana e quem deve ser ouvido nas sociedades estudadas; comolidar com a opressão de pessoas no interior das "sociedade dos nativos" quando os opressores são também nativos. Na etnografia do crime, é possível e preciso o mergulho no mundo do outro a ponto de virar nativo? A antropologia do contemporâneo, praticada em sociedades cada vez mais diferenciadas e em um mundo que nunca foi tão globalizado, exige a multiplicidade de fontes de dados, de planos deabordagem e de perspectivas teóricas, averiguando o que acontece em outras disciplinas, sendo cauteloso e paciente na invenção de novos conceitos e novas pesquisas. Palavras-chave: Etnografia, Ética de pesquisa, Relativismo cultural, Participação, Distanciamento

ABSTRACT The article discusses the question of cultural relativism, an issue that has become increasingly polemical at the turn of themillennium, especially with the diverging opinions on how to respond to the dilemmas posed by the new subjects-objects and the impasses generated by the global diffusion of universalist stances. New ethical problems and dilemmas prevene anthropological practice: what are human rights and what are their reach among non-western natives; who counts as a human person and who should be heard in thesocieties under study; and how to deal with the oppression of people within the 'native societies' when the oppressors are themselves natives? In the ethnography of crime, is it possible or necessary to submerge

oneself in the world of the other to the point of turning native? The anthropology of the contemporary, practiced in increasingly differentiated societies and in an ever more globalizedworld, demands a multitude of data sources, approaches and theoretical perspectives, verifying what is happening in other disciplines, and remaining cautious and patient in the invention of our concepts and new research. Key words: Ethnography, Research ethics, Cultural relativism, Participation, Distancing

Relativismo cultural na nova ordem mundial
A questão do relativismo cultural, importanteelemento na perspectiva teórica da Antropologia porque baseado no entendimento do outro, assume caráter polêmico na passagem do milênio ou do século XX para o XXI. O dissenso dentro da disciplina apareceu na forma de fusão ou não de horizontes, de permanência ou não do hiato entre interlocutores que não se confundem nem entram em completo acordo, mas principalmente no que fazer diante dos dilemaspostos pelos novos sujeitos-objetos e dos impasses advindos da difusão planetária de posturas universalistas, como a dos direitos humanos. O que fazer com o relativismo cultural diante da globalização da economia e dos meios de comunicação, do ecoturismo, do aparecimento de nações modernas entre os povos ditos tribais, e da crítica da modernidade em casa? Novos problemas, novas perplexidades, novosdilemas apresentaram-se para o antropólogo. Os nativos são agora cidadãos de seus respectivos países, muitos deles transformados em nativos antropólogos de seus povos, historiadores de sua história, filósofos de seu modo de encarar o mundo. Geertz (1988) aponta as novas dúvidas, algumas tratadas com ironia. É decente? Quem somos nós para descrevê-los? É ético ou politicamente correto? Lamenta o...
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