Nasce um projeto: chocolate do parke

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  • Publicado : 12 de maio de 2012
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ESTUDO DE CASO
Nasce um projeto: Chocolate do Parke
José Schneider era um entre dez irmãos que trabalhavam numa pequena área de terra no interior do Rio Grande do Sul. A disciplina da cultura alemã canalizava todo o esforço da família para o trabalho e, graças a ele, os filhos não conheceram nem a fome e nem o frio. Nessa vida de trabalho árduo estava José, tirando o produto da terra -cultivado em alguns poucos hectares - e de um pequeno moinho colonial, que transformava o milho em farinha. Mas essas atividades não possibilitavam nada mais além da subsistência. A criação de frangos surgiu, então, como uma opção de aumento da renda familiar. Na pequena propriedade rural foi instalado um aviário, através do qual passaram a criar e vender o frango para quem quisesse comprá-lo: em geral,pequenos abatedouros e comerciantes de varejo da região. Com a produção da lavoura, do moinho e, principalmente, do aviário a família viveu um ciclo de prosperidade que ainda não havia conhecido.
Mas no início dos anos 80, o sistema integrado de produção e abate de frangos chegou à região com grande poder de pressão econômica. Os pequenos e independentes produtores de frango se viram frente a umdilema: integrar ou morrer! O impulso de sobrevivência foi mais forte. Integraram-se a um grande sistema: receber o pinto, criá-lo e entregá-lo para o abate. Mas logo perceberam que o resultado financeiro era muito pequeno e o risco muito grande. Neste sistema era preciso, cada vez mais, buscar produção em escala e fazer rodar a equação do quanto menor a margem de lucro, maior deveria ser aprodução.
A família de José era proprietária da terra, do aviário e dos seus equipamentos. Mas a sensação era a de que tinha se tornado um empregado. E este não era o futuro que estava projetando para si. Em uma das muitas conversas que tinha com o pai, este lhe perguntou: - “O que você quer fazer meu filho?” ”Não quero ser empregado de ninguém. Quero ter o meu próprio negócio”, respondeu José, na épocacom 28 anos, inconformado com aquela situação de muito trabalho e pouca renda.
Preocupado, José começa a procurar oportunidades. Conversa com amigos. Consulta pessoas mais experientes e escuta histórias de negócios bem ou mal sucedidos. Não levou muito tempo para descobrir que a oportunidade estava mais perto do que pensava. Uma pequena estrutura de processamento artesanal de chocolate, localizadaem Gramado, de propriedade de alguém próximo a sua família, foi lhe oferecida. Eram quatro panelas, um forno elétrico, uma mesa, uma geladeira e 1000 quilos de massa de chocolate, alojados no porão de uma casa.
Não tinha dinheiro para adquiri-la e, muito menos, conhecimento sobre chocolate. Mas o pagamento poderia ser feito após a venda futura do chocolate a ser processado. A venda poderia serfeita por um eventual vendedor comissionado, e o conhecimento sobre o produto seria lhe transmitido pelo próprio proponente do negócio. Assim, nestas condições, José não hesitou. Adquiriu a pequena fábrica e a pôs em funcionamento num porão alugado. Mas quem lhe havia prometido ensinar tudo sobre o processamento do chocolate, não ensinou. José não se abateu. Foi buscar ajuda. Logo encontrou umapessoa com experiência no ramo que ensinou-lhe o básico sobre processamento do chocolate.
Comprou a crédito os outros insumos necessários e processou os 1000 quilos de massa de chocolate, transformando-a em ovos de Páscoa. Mas quem disse que iria vender o produto, não vendeu! Sem hesitar, embarcou no seu “Fuca” 77, junto com algumas amostras do produto e foi para Caxias do Sul, oferecê-lo nasassociações de funcionários das indústrias. Como não conhecia aquela cidade, um amigo o acompanhou para orientá-lo no percurso. Sem dinheiro, com várias dívidas, mas com mil quilos de ovos de páscoa e uma vontade enorme de vencer, foi adiante. “Jamais esquecerei aquele dia. Fomos em várias indústrias, batendo de porta em porta. Todas elas nos receberam, mas apenas uma fechou negócio. A Associação...
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