Narcisismo

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Universidade de Fortaleza - UNIFOR
Teorias V: Psicanálise
Nota de Aula

FREUD, S. (1914) Sobre o narcisismo. In Obras completas, vol. XIV, ESB. Rio de Janeiro: Imago, 1980.




Parte I

1. Paul Näcke (1899) - (ou Havelock Ellis?): “(...) a atitude de uma pessoa que trata seu corpo da mesma forma pela qual o corpo de um objeto sexual é comumente tratado – que o contempla, valedizer, o afaga e o acaricia até obter satisfação completa através dessa atividade.”
2. Desenvolvido até esse grau exibe as características da perversão.
3. Atitudes narcísicas: comuns em outras perturbações como a homossexualidade, a neurose e em pessoas normais, logo poder-se falar em libido narcísica ou mesmo uma “fase” regular do desenvolvimento sexual humano - “(...) o complemento doegoísmo do instinto de autopreservação.”
4. Decorreu da tentativa de aplicar à esquizonfrenia (Breuler) ou demência precoce (Kraepelin) a teoria da libido: duas características centrais – desvio de interesse do mundo externo (pessoas e coisas) e megalomania. Por causa da primeira característica: uma dificuldade para tratar com psicanálise.
5. O afastamento da realidade não é, porém,exclusivo da psicose: na neurose (histeria e obsessão) o paciente também desiste de sua relação com a realidade, mas não corta os vínculos eróticos com pessoas e coisas, pelo menos na fantasia (mistura objetos reais com imaginários internos): é o único caso em que se aplica a noção de introversão da libido de Jung.
6. No parafrênico é diferente: retira a libido de pessoas e coisas da realidadee não substitui por outras fantasias, exceto de modo secundário, como processo para voltar a investir em objetos.
7. O que acontece com a libido afastada dos objetos? A megalomania dá uma pista: a libido é dirigida para o ego numa atitude denominada de narcisismo. Porém, como a megalomania não é uma situação nova, mas fruto de uma condição prévia (posição de centralidade auto-erótica dobebê), logo é possível falar aí de narcisismo secundário (em que já há a indução de catexias objetais) ainda superposto a um narcisismo primário (obscurecido até o surgimento das catexias objetais).
8. Essa nova teoria da libido é corroborada pela vida emental das crianças e povos primitivos (ver Psicologia do Grupo e Análise do Ego): nos últimos características que lembram a megalomania – i)superestima do poder dos próprios desejos e atos mentais (onipotência do pensamento); ii) crença no poder mágico das palavras (força taumatúrgica) e iii) uma técnica “mágica” para lidar com a realidade.
9. Há, portanto, uma catexia libidinal original do ego (narcisismo primário), posteriormente transmitida a objetos, mas que persiste (narcisismo secundário).
10. Desta forma, é possívelfalar de um antítese entre a libido do ego e libido objetal (estamos aqui ainda na primeira teoria pulsional): quanto mais uma é empregada, mais a outra se esvazia. O exemplo mais radical do investimento objetal é estar apaixonado (sujeito parece desistir de sua própria personalidade) e do investimento no próprio ego é o da fantasia de fim de mundo do paranóico. No início as duas libidos estãojuntas e com o surgimento de objetos, elas se diferenciam (em libido sexual e de auto-conservação ou do ego).
11. Qual é, assim, a relação entre o auto-erotismo (estado inicial e anobjetal da libido) e o narcisismo? Para que distinguir duas libidos (uma do ego e outra objetal) e duas pulsões (de auto-conservação ou do ego e outra sexual ou objetal)? A análise das neuroses de transferência(histeria e obsessão) induziu Freud a tal divisão.
12. Isso ocorre porque o ego é uma formação que se constrói na relação com o outro (cultura): no início o que há é auto-erotismo, pulsões auto-erotícas desde o início (zona erógena) presentes desde o início, logo uma nova ação psíquica deve provocar o narcisismo. Algumas considerações epistemológicas: muitas ciências trabalham com conceitos...
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