Morte: uma visão psicossocial

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Estudos de Psicologia 2006, 11(2), 209-216

Morte: uma visão psicossocial
Denise Stefanoni Combinato
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Paranaíba

Marcos de Souza Queiroz
Universidade Estadual de Campinas

Resumo
A morte faz parte do processo de desenvolvimento humano e está presente em nosso cotidiano. Diferentes profissionais – especialmente os profissionais da saúde –interagem com o processo de morte e morrer na sua atividade profissional. Entretanto, além de estarmos inseridos num contexto sócio-histórico de negação da morte, a formação profissional caracteriza-se pela ênfase nos aspectos teórico-técnicos. Considerando que a compreensão sobre a morte influencia na qualidade de vida da pessoa e também na maneira como ela interage na sua atividade profissional com oprocesso de morte e morrer, procuramos neste artigo fazer uma reflexão sobre os aspectos psicossociais envolvidos na morte, tendo em vista a sensibilização sobre a importância de discutir e refletir sobre a morte, considerando-a parte do desenvolvimento humano.
Palavras-chave: morte; desenvolvimento humano; psicologia; psicossocial; ciência

Abstract
Death: a psychosocial view. Death is partof the process of human development and it is present in our daily life. Different professionals–particularly health professionals–interact with the process of death and dying in their professional activity. However, in addition to being inserted in a social-historical context of death denial, their professional formation is characterized by the emphasis upon theoretical and technical aspects. Theunderstanding of death influences on people’s quality of life and also in the way professional activities related to death and dying are performed. In this article we present a reflection about death’s psychosocial aspects, considering the importance of seeing death as part of the human development process.
Keywords: death; human development; psychology; psychosocial; science

E

ste artigofocaliza os principais estudos, em nível nacional e internacional, que constituem a área de investigação científica denominada tanatologia, que analisa a morte e o morrer da espécie humana. Além de uma preocupação com o estado de arte deste campo de estudo, o artigo traz também algumas incursões teóricas, como uma contribuição para delimitar e ampliar o desenvolvimento desse tipo de investigação.Um pressuposto teórico fundamental desse artigo assume que, para o ser humano, o ato de morrer, além de um fenômeno biológico natural, contém intrinsecamente uma dimensão simbólica, relacionada tanto à psicologia como às ciências sociais. Enquanto tal, a morte apresenta-se como um fenômeno impregnado de valores e significados dependentes do contexto sóciocultural e histórico em que se manifesta. Anossa preocupação, aqui, tem como foco principal a civilização ocidental, no interior da qual dois aspectos serão dirigidos, envolvendo o mundo medieval e a sociedade moderna contemporânea. A área de estudos sobre a morte teve como um dos seus pioneiros o médico canadense William Osler (1849-1919). Na

sua publicação de 1904, A study of death, são abordados os aspectos físicos e psicológicos damorte com o objetivo de minimizar o sofrimento das pessoas no processo de morte (Kovács, 2002). Após a Segunda Guerra Mundial, o desenvolvimento da tanatologia intensificou-se. A obra de Feifel (1959), The meaning of death, ao buscar a conscientização sobre a morte em um contexto de proibição sobre o tema, constituiu um marco importante que caracterizou esse período (Kovács, 2002). Na década de1960, encontram-se os trabalhos da psiquiatra Kübler-Ross, realizados a partir de suas experiências profissionais com pacientes terminais. A obra Sobre a morte e o morrer, publicada em 1969, analisa os estágios pelos quais passam as pessoas no processo de terminalidade: negação e isolamento, raiva, barganha, depressão e aceitação (KüblerRoss, 1969/1998). Segundo a autora, a externalização dos...
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