Suicidio - estudo psicossocial

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  • Publicado : 9 de novembro de 2011
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Suicídio
Estudo psicossocial
Rogério Lustosa Bastos
Este livro pretende debater o suicídio frente à psicologia e junto à questão psicossocial. Isto implica que estas páginas desenvolverão tal temática pelo viés psicológico, pela perspectiva social e também pelo entrelaçamento psicossocial. Nesta última visão, o suicídio será analisado por uma posição que caminha pelos pontos de vistaspsicológico (endógeno) e pelo social (exógeno). Ressalte-se que esse entrelaçamento será, principalmente, desenvolvido a partir das idéias de Bleger. Dentro destas idéias, entre outros fatos importantes, será destacada a questão do vínculo, que se inicia no agrupamento familiar e tem papel significativo em muitas tentativas de suicídio e alguns suicídios fatais. Em síntese, visando sistematizar essadiscussão, este livro será desenvolvido em três partes básicas e sete capítulos, como se verá a seguir.
Parte I
No Capítulo I são debatidas as definições da autodestruição. Aqui se verá que conceituar tal termo é não só se deparar com suicídios no plural, como também entendê-lo dentro de um contínuo existencial de autodestruição, o qual se apresenta por três graus básicos: os “primeiros graus desuicídios”; os “graus intermediários de suicídios” e os “graus extremos ou últimos graus de suicídios”. Os primeiros graus se relacionam aos graus inconscientes da autodestruição. Estudos, tal como o de Stubbe (1982), indicam que, em tese, todo e qualquer ser humano situa-se aqui, mas sem que necessariamente venha, um dia, a se tornar um paciente suicida. A título de ilustração, podemos exemplificarcom a situação daqueles que fumam de forma extremada, dos que dirigem embriagados, de cada um de nós que, indiretamente, apresenta um ou outro comportamento que põe em risco a sua própria vida. Os graus intermediários de suicídios se relacionam com o momento em que o indivíduo apresenta de fato atitudes que ponham em risco, diretamente, a sua própria existência. Vendo de outro modo, diferindo dograu anterior, nesta fase o indivíduo demonstra sinais concretos que quer destruir a si próprio: trata-se do instante em que aparecem as tentativas de suicídio. Apesar da designação de “graus intermediários”, estamos diante de uma fase de suma importância para a suicidologia, ou seja, quem tenta o suicídio nem sempre está firmemente determinado a se matar, porém, caso não dermos o devido valor aessas tentativas, elas podem certamente atingir a fase do suicídio fatal. Detalhe: é principalmente diante das tentativas que o sujeito em questão e a sua família devem buscar uma ajuda profissional, notadamente para que em trabalho integrado (família, paciente e equipe terapêutica), busque-se entender esse problema emergente, evidentemente com vistas a se reverter esta tendência autodestrutiva emcurso. Em outras palavras, se há momentos em que uma tentativa de suicídio pode levar à morte, notadamente quando lidamos com ela de forma preconceituosa ou até “negando-a”, de outro lado, quando se procura agir de forma contrária, tende-se a mudar o quadro. Ora, se conseguirmos dar o devido valor à tentativa de suicídio, se a entendermos como um signo de que algo possivelmente não está bem – sejado ponto de vista individual, familiar e social –, então, há grandes chances de se reverter a tendência autodestrutiva. Em geral, quando se age por tal caminho a “tentativa”, na melhor das hipóteses, pode se tornar um marco para que o indivíduo e o seu grupo familiar busquem se reestruturar, evitando a morte de si mesmo. Quanto aos graus extremos, tratam-se de aspectos em que o portador dessedistúrbio apresenta uma tendência contundente para se matar e não demonstra nenhuma dúvida em relação a isso. Neste instante, não só se requer muitos cuidados, pois há enormes possibilidades do paciente se matar, como também se faz imprescindível observar que há uma diferença cabal com a fase anterior. Ora, se nas “tentativas” havia até espaço para discutirmos de que talvez o cliente estivesse...
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