Moda & arte: a moda pode ser considerada uma expressão artística?

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  • Publicado : 10 de agosto de 2012
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Moda & Arte: A Moda Pode ser Considerada uma Expressão Artística?




“A moda conseguiu estabelecer uma ponte entre a beleza e a vida. A moda é uma arte que se usa, que se leva para a rua; é uma arte de consumo a que todos têm acesso.”

Manuel Fontán de Junco




Quando se fala de arte e moda,é difícil pensar na existência de uma coisa sem a outra, pois a todo o momento a moda se confunde não só como manifestação social, mas também como representação daquilo que sentimos ou somos. Por isso, buscamos uma definição para uma coisa e outra, e alguns aspectos da própria criação, para entender a relação, ou não, entre uma coisa e outra.
A arte é um fenômeno cultural, e podemos defini-lacomo uma forma do ser humano expressar suas emoções, sua cultura e sua história através de valores estéticos de várias formas, como a pintura, a fotografia, a dança, o cinema, a música, a arquitetura, a escultura; como uma atividade que supõe a criação de sensações ou de sentimentos, dando um significado único para cada obra.
Segundo Charles S. Pierce, a arte possui a função transcendente,ou seja, manchas de tinta sobre uma tela ou palavras escritas sobre um papel simbolizam estados de consciência humana, abrangendo percepção, emoção e razão.
A moda pode ser definida como uma adesão a coletividade; a tendência de consumo da atualidade, caminha conosco pelas ruas, vê e é vista pelas massas, e difunde agilmente uma idéia; é também um sistema que acompanha o vestuário e o tempo,que integra o simples uso cotidiano da roupa a um contexto maior, político, social e sociológico
Para Lipovetsky (O Império do Efêmero) a explicação de moda, como sendo uma expressão da rivalidade de classes, não é atualmente satisfatória, e então, para tirar a moda dessa explicação simplista, realizou a construção de uma história da moda conceitual, que leva em conta não a “históriacronológica dos estilos e das modernidades elegantes, mas os grandes momentos, as grandes estruturas, os pontos de inflexão organizacionais, estéticos, sociológicos, que determinariam o percurso plurissecular da moda.”
Já Gilda de Mello e Souza, em seu livro “O Espírito das Roupas” afirma que a moda “é um todo harmonioso e mais ou menos indissolúvel, serve a estrutura social, acentuando a divisão emclasse, reconcilia o espírito individualizador de cada um de nós e o socializador, exprime idéias e sentimentos, pois é uma linguagem que se traduz em meios artísticos.”


Para caracterizar a moda como arte, ou não, é preciso levar em consideração as várias formas de criação da moda, como a alta costura, a moda conceitual, o prêt-à-porter, o fast-fashion. Todos têm objetivos diferentes. Oestilista é incontestavelmente um criador, mas que cria aquilo que agrade o seu público, o seu cliente, ao contrário do artista, que busca sempre surpreender e tocar a alma, pois a moda, antes de qualquer coisa, é indústria, é um negócio. Mas, em tempos pós-modernos, quando individualizar é uma questão essencial, criadores jogam em suas criações suas idéias, sentimentos e percepções, buscando o únicoem um mundo onde a massificação domina o mercado.
A moda conceitual é uma das manifestações mais evidentes da arte enquanto moda ou da moda enquanto arte, aquela que consiste na construção de imagens e a roupa fica em “segundo plano” e se fortaleceu principalmente por artistas como Salvador Dalí, Lygia Clark, Helio Oiticica, Andy Wharol, e por estilistas como Elsa Schiaparelli e YvesSaint-Laurent.
E mesmo em uma coleção industrial, existe todo um processo, a escolha de cores, estampas, os shapes, tudo tem que estar em harmonia dentro de um tema, exigindo muita sensibilidade e criatividade, como na arte. Além do que, as criações nas coleções não são nada mais do que adaptações de criações conceituais de grandes estilistas para a moda do cotidiano, para a rua.
Enfim,...
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