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A Comunicologia segundo Vilém Flusser*
MICHAEL HANKE

Resumo Este artigo trata da “comunicologia”, ciência da mídia e da comunicação, de Vilém Flusser, um dos pioneiros dessa área no Brasil, criador do primeiro curso da comunicação em São Paulo na década de 60. Apresenta a sua história biográfica e institucional, as linhas de influência intelectual assim como um panorama teórico ecaracterísticas da sua obra, sendo estas cunhadas pela semiótica, fenomenologia e cibernética. Palavras-chave teoria da comunicação, comunicologia, Vilém Flusser Abstract This article is about the so-called “communicology”, science of media and communication, as developed by Vilém Flusser, one of the pioneers of this area in Brazil, who also founded the first course in communications in São Paulo in the 1960s.After presenting his biographical and institutional history, the lines of intellectual influence are sketched and an overview of his theory as well as characteristics of his work are presented, these being coined by semiotics, phenomenology and cybernetics. Key words communication theory, communicology, Vilém Flusser APRESENTAÇÃO E BIOGRAFIA

Se podemos, entre as varias ciências, encontrar umasociologia, psicologia, biologia e tecnologia, porque não existe uma “comunicologia”, teoria e ciência da comunicação? A comunicação como objeto científico, especialmente na época da ∗ Este artigo faz parte de uma pesquisa apoiada pelo CNPq. Foi apresentado no Intercom 2003 — XXVI
Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, em Belo Horizonte.

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Professor de filosofia da ciência,conhecido como tradutor de textos de Charles Sanders Peirce e organizador de uma das primeiras edições das obras desse filósofo no Brasil, o livro Semiótica e filosofia (São Paulo: Cultrix, 1975). Com esse livro Flusser encantou João Guimarães Rosa, com quem iniciou diálogo. Segundo Celso Lafer, “Flusser foi atraído e atraiu G. Rosa” (1999: 10). Após a leitura do livro, Rosa enviou-lhe um telegrama:“Maravilhado, emocionado, enthusiasmado [sic] poderosos artigos abrassos [sic] grato grande amigo G. Rosa” (Flusser 1999a: 294). Ver também a autobiografia de Flusser sobre Rosa (1999a: 139-150).

n. 7 | abril 2004

revolução midiática, deve ou pode ser considerada menos importante de que as outras áreas? Não merece uma ciência própria? Esse é o raciocínio do pensador tcheco-brasileiro VilémFlusser. Nascido em Praga (Tchecoslováquia) em 12 de maio de 1920, Vilém Flusser fugiu dos nazistas em 1939, ainda quando estudante na Universidade Karlov; ele foi o único membro da família que sobreviveu ao holocausto (cf. Flusser 1999a: 28-29). Chegou — via Londres — ao Rio de Janeiro em 1940, com esposa e sogros, seguindo para São Paulo, onde fixou residência. Durante cerca de 15 anos, Flussertrabalhou em firmas comerciais e industriais do sogro, se dedicando aos negócios durante o dia e à filosofia à noite, até os meados dos anos 50, quando resolveu abandonar essa atividade prática e dedicar-se inteiramente à vida intelectual. Graças ao seu excepcional desempenho intelectual foi convidado a participar no círculo do Instituto Brasileiro de Filosofia (IBF), onde passou a participar nasreuniões de seus membros e assistir às aulas, dentre as quais o curso de lógica simbólica, ministrado pelo prof. Leônidas Hegenberg1. O interesse filosófico de Flusser firmou-se na filosofia da linguagem e nos autores Moritz Schlick, Ludwig Wittgenstein e Rudolf Carnap, cuja leitura indica que ele dominou a língua alemã perfeitamente — como quase todo tcheco-judeu — e iniciou os estudos com o positivismológico do Círculo de Viena. Lia também filosofia anglo-saxônica e alemã, como Ernst Cassirer; Alfred Whitehead e autores do pragmatismo americano, como John Dewey e Bertrand Russel. Contudo, foi Wittgenstein quem mais o influenciou. Flusser desenvolveu sua própria filosofia da linguagem entre 1960 e 1980, que foi publicada nas revistas do IBF. Em 1961 começou a escrever sobre o assunto no jornal O...
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