Maquinaria e grande industria

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  • Publicado : 15 de outubro de 2012
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Em seu livro, Princípios de Economia Política, John Stuart Mill escreveu: “Resta ainda saber se as invenções mecânicas realizadas até agora aliviaram o trabalho diário de algum ser humano”. Besteiras desse Mill. Em primeiro lugar, essa não é intenção do capital, quando emprega uma máquina. Como qualquer desenvolvimento das forças produtivas do trabalho, a máquina, na produção capitalista, tem porfim baratear as mercadorias, encurtar a parte do sai de trabalho na qual o operário trabalha para si mesmo e,com isso,prolongar a outra jornada de trabalho que ele dá gratuitamente para o capitalista. A máquina é um método de fabricar a mais-valia relativa.

Em segundo lugar, ainda em relação à frase de Mill, ele deveria ter dito: “de algum ser humano… que não viva do trabalho alheio”. Asmáquinas aumentaram, com certeza, o número dos ricos ociosos. Mas, quem é que pensa alguma vez no trabalhador? Se o capitalista se preocupa com ele, é somente para estudar uma forma de sugá-lo melhor. O operário vende sua força de trabalho e o capitalista a compra, como única mercadoria que, criando mais-valia, faz nascer e crescer o capital. O capitalista por outro lado, só se ocupa em fabricar sempremais e mais mais-valia. Depois de ter exaurido a mais-valia absoluta, encontrou a mais-valia relativa. Agora ele sabe: com as máquinas, ele pode obter, ao mesmo tempo, um produto duas, quatro, dez, muitíssima vezes maior do que antes. E o que é que esse moço religioso, honesto e, ainda por cima, amigo da tecnologia avançada pode fazer? Impor as máquinas para seus trabalhadores! A cooperação, amanufatura, se transforma assim na grande indústria moderna e a sua oficina na fábrica, propriamente dita.

Depois de ter mutilado e estropiado o trabalhador com a divisão do trabalho; depois de tê-lo limitado a uma única e maçante operação, o capitalista vai agora nos oferecer um espetáculo mais triste ainda. Ele arrancou das mãos do trabalhador as ferramentas que lhe restavam, liquidando,assim, as únicas recordações de seu antigo ofício, de seu antigo estado de homem completo, e o amarra à máquina. Agora, o operário virou escravo da máquina, exatamente como o capitalista, precisa dele. Com a introdução da máquina, o capitalista tem imediatamente um enorme lucro; recordando o que dissemos da mais-valia relativa, a gente compreende logo o por quê. Mas com a generalização do sistema deprodução mecânica aquele lucro extra, acaba, restando apenas o aumento da produção, que, como resultado geral dessa generalização, diminui o valor das mercadorias necessárias ao trabalhador, o tempo de trabalho necessário e também os salários. O que aumenta é o sobre-trabalho e, com ele, a mais-valia.

O capital se compõe de uma parte constante e de uma parte variável. Chamamos de capitalconstante aquela parte que é representada pelos meios de trabalho e pelo material de trabalho (matéria prima). O prédio da fábrica, suas instalações, os instrumentos de trabalho, mesmo os uniformes, com capacetes de segurança e tudo; o material auxiliar como a graxa, o carvão, o óleo, a energia elétrica, etc.; a matéria de trabalho, como o ferro, o algodão, a seda, a prata, a madeira, o plástico, etc.,são coisas que fazem parte do capital constante. O capital variável é aquela parte representada no salário, isto é, no preço da força de trabalho. O primeiro é chamado de constante porque seu valor, que entra no preço da mercadoria, não se altera, permanecendo constante. O segundo é chamado de variável porque o seu valor aumenta, e esse aumento entra também no valor da mercadoria. É só o capitalvariável que cria a mais-valia. E a máquina, como não pode deixar de ser, faz parte do capital constante.

Do mesmo modo que o capitalista lucrou de uma massa de forças naturais, ele se propõe, na indústria moderna, a lucrar de uma massa enorme de trabalho morte e de graça. Mas, para alcançar seu objetivo, necessita ter todo um mecanismo, que se comporá de matéria mais ou menos custosa e que...
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