Livro nunca lhe prometi um jardim de rosas

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NUNCA LHE PROMETI UM JARDIM DE ROSAS Av. Paulista, n° 2518 - Térreo Telefone: (0xx11) 3258-8599 emporiopaulista@terra.com.br Título original I NEVER PROMISED VOU A ROSE GARDEN. Traduzido da edição publicada nos E.U.A. em 1964 por The New American Library, Inc., Nova Yorque. Copyright (c) 19 64 by Hannah Green Editoração Coordenador: Pedro Paulo de Sena Madureira Tradução: Jayme Benchimol Revisãotipográfica: Maria Beatriz Nascimento Gomes Capa: Renato Sérgio Brando - 1974 Direitos para a língua portuguesa adquiridos por IMAGO EDITORA LTDA., Av. N. S. de Copacabana 330 10º andar - Tel.: 255-2715, R io de Janeiro, que se reserva a propriedade desta tradução. Impresso no Brasil Printed in Brazil PARA MINHAS MÃES O carro percorria uma bela região de campos e fazendas, em pleno outono,atravessando curiosos e antigos vilarejos cujas árvores de troncos retorcidos davam, com suas tonalidades vivas, um colorido pitoresco às ruas. Seus ocupantes falavam pouco. Dos três, o pai parecia o mais cansado. Vez por outra, interrompia o pesado silêncio com migalhas de conversa, coisas casuais, sem importância, que mesmo a ele exasperavam. Voltou-se, uma vez, para o rosto da menina refletido noespelho retrovisor e perguntou: - Você sabe, não sabe, que eu não passava de um tolo quando me casei, um tolo consumado? Não tinha a menor noção de como educar uma criança, do que significava ser um pai. Defendia-se, e sua defesa também era em parte uma agressão. A menina continuou calada. A mãe sugeriu então que parassem para tomar um café e, num esforço desesperado para melhorar o clima de tensão,disse que parecia realmente que estavam fazendo uma viagem de férias, em pleno outono, com sua filha adorável, e numa região maravilhosa. Encontraram um restaurante à beira da estrada e pararam. A menina saltou ligeira, e encaminhou-se para o motel, nos fundos do prédio. Tão logo se afastou do carro, os olhos dos pais se voltaram sobressaltados: - Deixe, ela está bem! tranqüilizou o pai. -Esperamos ou entramos logo? - perguntou em voz alta a mãe, falando consigo mesma. Dos dois, ela era a mais analítica. Antecipava-se às coisas, planejando tudo minuciosamente - como agir e o que dizer - enquanto o marido se deixava guiar, não só por comodismo, mas também porque geralmente era ela quem tinha razão. Naquele momento sentia-se confuso e só. Deixou-a entregue a seus planos e especulações,inclusive porque era assim que ela se consolava. Ele preferiu se manter em silêncio. - Ficando no carro - dizia ela - estaremos ao alcance dela, caso precise de nós. Se ela sai e não nos vê... Por outro lado, devemos mostrar que confiamos nela. É importante que sinta que confiamos nela... Decidiram finalmente entrar no restaurante, procurando aparentar a maior descontração possível. Sentaram-se numamesa junto às vidraças, de onde podiam avistá-la dobrando esquina do prédio, vindo em sua direção. Procuravam observá-la como se fosse uma desconhecida, filha de alguma outra pessoa a quem tivessem sido apresentados naquele instante, uma Déborah que não era a deles. Estudaram com atenção o corpo adolescente e desgracioso: julgaram-no bom. O rosto era inteligente e vivo, embora, para dezesseis anos,sua fisionomia ainda fosse excessivamente infantil. Estavam habituados à sua precocidade meio tristonha, mesmo não a reconhecendo no rosto familiar que agora procuravam tratar como estranho. O pai pensou com seus botões: "Como é que desconhecidos podem ter certeza? Ela é nossa... sempre foi nossa. Eles não a conhecem. Trata-se de um erro - só pode ser um erro!”. A mãe, por sua vez, disse a simesma observando a filha: “Minha expressão”... não deve estar aparentando nada de anormal, nenhuma ruga - uma expressão ideal." E sorriu satisfeita. No fim da tarde, pararam em outra cidadezinha e jantaram no melhor restaurante, numa atitude de desafio e aventura, pois não estavam vestidos de forma conveniente. Terminado o jantar, foram a um cinema. Déborah parecia contentíssima com a noitada....
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