Liturgia pentecostal

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 24 (5870 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 12 de novembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Liturgia Pentecostal (parte 1)
Um dos campos onde o Pentecostalismo enfrenta mais problemas é na liturgia. Uns, adeptos de um sobrenaturalismo anti-bíblico só consideram o valor de um culto onde há manifestações de poder, seja humano ou supostamente divino. Outros, vêem um culto como um lugar de receber presentes celestiais, sendo pessoas que sempre levantam a mão quando um pregador diz: “quemveio receber uma bênção essa noite?” Há ainda aqueles que confundem culto com um programa de entretenimento, onde o espetáculo é a ordem que rege o momento de adoração.
Culto vem das palavras gregas latréia e proskyneo, portanto cultuar significa adorar, reverenciar, render homenagem etc. O culto é apresentado no Novo Testamento com alguns elementos para o sua direção. Os elementos do culto são aoração ( At 12.12; 16.16), a exposição da Palavra ( Rm 12.17; Hb 13.7 ), os cânticos ( I Co 14.26; Cl 3.16), a contribuição (I Co 16.12 ) e dons espirituais ( I Co 14.26-32).
Mas além da importância de conhecer os verdadeiros elementos de um culto é preciso refletir sobre a natureza dessa adoração prestada a Deus. Tanto para pentecostais, como para não-pentecostais é necessário refletir que:01) O culto cristão é racional (Rm 12.1)

O culto de Deus é racional. Não há lógica os dirigentes de culto incentivarem uma reunião em que a mente não seja cultivada. Em muitos cultos há um reverência para a irracionalidade, pois os louvores nada dizem e são meros sons jogados ao vento, onde ninguém entende a nada da mensagem musical.
Os supostos arrebatamentos de sentidos além das glossolaliassem interpretações, fazem sentido em um culto racional? O culto anti-litúrgico, onde não há ordem e muito menos decência, condiz com um culto em que se usa a razão? As supostas “danças, caídas, sopros, pulos, cambalhotas, retetés... no espírito” se encaixam no culto que se deve cultivar a racionalidade?
Em Romanos 12.1, Paulo adverte a igreja para oferecer um culto logikos, que pode ser traduzidopor “relativo à razão, racional...”[1] O uso da mente, tão desprezado no meio evangélico, é totalmente incentivada pelo doutor dos gentios. Tanto os louvores, a exposição da Palavras e as manifestações carismáticas devem seguir uma lógica compreensível a todos os presentes no culto.

02) A exposição da Palavra é o ápice do culto (At 20.7-8).

A pregação expositiva, onde o texto é discorridocom esmero exegético e hermenêutico, debaixo de oração constante para o quebrantamento dos corações ouvintes é o ponto máximo da adoração cultual. O tempo do culto tem sido substituído por pregações artificias, que mais parecem programas de auditório, onde o propósito é animar os presentes. A Palavra de Deus precisa ser pregada com o máximo de preparo e o pregador nunca deve substituir o khronoskerigmático por testemunhos, campanhas, cantorias etc. John Piper escreve: “A Palavra significa para a adoração o que o oxigênio significa para a respiração”.
O pastor inglês John Stott relacionou muito bem o culto a pregação:

Adoração pertencem indissoluvelmente uma à outra. Toda a adoração é uma resposta inteligente e amável à revelação de Deus, porque é a adoração de seu nome. Portanto, aadoração aceitável é impossível sem a pregação. Pregar é tornar conhecido o nome de Deus, e adorar é louvar o nome do Senhor sobre o qual fomos informados. Ao invés de ser uma intrusão alienígena à adoração, o ler e o pregar a Palavra são realmente indispensáveis à adoração. As duas não podem ser divorciadas. [2]

Na igreja hodierna a pregação nunca foi tão carente e desprezada. Apesar do grandenúmero de “pregadores”, “conferencistas internacionais”, “profetas” etc, a pregação bíblica expositiva e bem explicada, é cada vez mais rara nos púlpitos das igrejas.

Referências Bibliográficas:

1- RIENECKER, Fritz e ROGERS Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. São Paulo: Vida Nova, 1995. p 276.

2- STOTT, John R. Between TwoWorlds. Grand Rapids: Eerdmans, 1982. p. 82. cit....
tracking img