Judith butler

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  • Publicado : 4 de fevereiro de 2013
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Fichamento do texto Problemas de Gênero, feminismo e subversão da identidade; Capítulo I: sujeitos do sexo/gênero/desejo de Judith Butler.

Judith Butler inicia seu texto identificando que na essência da teoria feminista há um entendimento de uma identidade fixa. Isso aconteceria devido a uma necessidade de representação política para promover a visibilidade das mulheres. Porém, essa concepçãovem entrando em colapso no interior do discurso feminista, ao questionar o sujeito das mulheres. Esse sujeito passaria a não ser mais reconhecido em “termos estáveis ou permanentes” (Butler, pág. 18). Ela vai discutir a essencialização que orienta a mulher enquanto o sujeito do feminismo. “Foucault observa que os sistemas jurídicos de poder produzem os sujeitos que subsequentemente passam arepresentar” (p. 18).
A noção de sujeito é apontada como vital para a política, na medida em que esta delimitaria seu alcance, suas recusas e suas exclusões. Mas pensar quem é o sujeito do feminismo suscita tensões para o feminismo, ao se encontrar em um território cheio de paradoxos, expondo os dispositivos de legitimação e exclusões, que fazem a ideia de abrangência, ou seja, ter de delimitar qualseria o sujeito do feminismo. Se for apenas a mulher, isso, mais uma vez, traria a velha binaridade, aliada à heteronormativade homem x mulher. Essas questões jurídicas propiciam impasses, na medida em que acabam por constringir as delimitações de sujeito e suas políticas, dentro do território das especificidades duras. Dessa forma, o discurso feminista, ao afirmar o sujeito feminista apenas como“mulher”, estaria confirmando a lógica do sistema jurídico de formação discursiva sobre os sujeitos. E assim, jamais teria sucesso sobre a emancipação das “mulheres”, pois as mesmas estruturas de poder que produzem o sujeito do feminismo são as mesmas estruturas que também reprimem.
A justificativa da autora sobre essa análise que ela realiza é ao informar que a construção dos sujeitos para o poderjurídico ocorre vinculada a objetivos de legitimação e de exclusão. Ela ainda explica que essa legitimação do sujeito perante o poder jurídico ainda é um vestígio da hipótese do estado natural, localizado no liberalismo clássico invocado no contrato social.
A autora trata ainda sobre o problema político produzido pelo feminismo ao supor um sujeito definido pelas “mulheres”. Ela explica que essanoção de mulher está associada a uma identidade comum limitante que não dialoga com encontros nas identidades discursivamente constituídas, raciais, étnicas, sexuais e etc., e porque o gênero não se constitui totalmente como coerente e consistente. Além disso, a noção frequente de que a opressão das mulheres é a mesma em todo o mundo, fortalece, não apenas um movimento de universalizar práticassexistas ocidentais, mas também de colocar tal prática como um barbarismo intrínseco e naturalizado. Butler levanta algumas questões que surgiram em muitos debates, como por exemplo: “Há uma especificidade das culturas das mulheres, independente de sua subordinação pelas culturas masculinistas hegemônicas?” (pág. 21).
Essa noção universalizante do patriarcado hegemônico contribui para uma estratégiade fortalecimento de representatividade das reivindicações do feminismo e ainda, reforça a relação binária masculino/feminino, que consequentemente, reforça a matriz heterossexual. A autora coloca como ponto de partida para debater sobre a genealogia crítica das estruturas jurídicas da linguagem e da política o presente histórico de Karl Marx, que seria a crítica às categorias de identidade. Elareforça que pode ser um bom momento para o movimento feminista se livrar de uma base única e invariável e refletir sobre a exigência de construir um sujeito do feminismo, mas enfoca que o movimento feminista deve construir uma teoria feminista com “construção variável da identidade como pré-requisito metodológico e normativo, senão como um objetivo político.” (pág. 23). Uma citação de seu texto...
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