Jovens e favela

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AS PRÁTICAS DE LAZER EM UMA FAVELA CARIOCA: DA ESSENCIALIZAÇÃO AO COMPARTILHAMENTO DE PRÁTICAS SOCIAIS SOB A PERSPECTIVA DA DISTINÇÃO SOCIAL E ESPACIAL ENTRE JOVENS NA CIDADE Fabíola Nascimento Camilo Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais/UERJ fabiola.nc@ig.com.br Introdução As favelas cariocas costumam estar em evidência no debate público e nas discussões acadêmicas, quando sãoanalisadas enquanto territórios privilegiados de estudo sobre as desigualdades sociais produzidas em nossa sociedade. Predominantemente, destacam-se as análises e os estudos sobre a precariedade dos serviços públicos ligados aos direitos sociais destes cidadãos. A partir das últimas décadas do século XX até os dias atuais, o tema da violência ampliou o seu espaço na discussão acadêmica, principalmente noque se refere às avaliações das políticas de segurança pública e as estratégias dos governos para combater a criminalidade violenta nos territórios das favelas. Abordar o tema do lazer, enquanto fenômeno social é uma tentativa de explorar uma chave analítica que considero ainda pouco recorrente nos estudos sobre as favelas. As práticas sociais desenvolvidas e criadas nos seus cotidianos e contextossociais, as interações face a face, os estilos de vida, bem como as dinâmicas de segregação e exclusão experimentadas por seus moradores, acredito que também podem ser analisadas a partir da dinâmica das práticas de lazer. O presente estudo tem a Rocinha como território de referência e o trabalho de campo foi desenvolvido, prioritariamente, em um espaço de lazer específico - uma casa de showlocalizada na subida da favela, próxima ao bairro de São Conrado. Na construção do objeto da pesquisa foram levantadas questões sobre a dinâmica do lazer, sociabilidade entre os jovens, o funk como a principal modalidade de música oferecida para este público específico, a coexistência de outras opções de diversão, as imagens e representações das favelas no Rio de Janeiro, entre outros. Meus dadosforam coletados

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através de entrevistas realizadas com freqüentadores e/ou moradores e da observação participante. A composição deste trabalho envolve um duplo posicionamento da autora com as questões aqui tratadas. Por um lado, o meu histórico e vivência pessoal, enquanto moradora da Rocinha, há mais de vinte anos, me aproxima do objeto desta pesquisa, uma vez que compartilho de muitaspráticas de lazer que se desenvolvem no local. E é importante levar em conta outras experiências sociais que experimento neste contexto. Por outro lado, a condição de pesquisadora no campo das ciências sociais me obriga fazer um distanciamento daquilo que a princípio é familiar (VELHO 1978). Ao mesmo tempo é uma oportunidade de relativizar o familiar “conhecido” e elaborar reflexões baseadas na dimensãoempírica do objeto, atrelando questões teóricas e metodológicas, propostas por uma “pesquisadora nativa”. Conhecida popularmente como uma das maiores favelas da América Latina, a Rocinha é um enclave social localizado na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, entre os bairros da Gávea e de São Conrado, área composta por segmentos sociais de alto poder econômico. Desde o ano de 1993, o decreto-leinº1995 criou o bairro da Rocinha e delimitou as suas dimensões territoriais. Nela existem pelo menos 24 sub-áreas, ou seja, localidades internas identificadas por nomes específicos, como por exemplo, Rua 1, Rua 2, Rua 3, Curva do S, Laborioux, Cachopa e etc. Os números sobre o total de moradores da Rocinha sempre levantaram inúmeras controvérsias e revelam-se imprecisos, variando de 56 mil a 200 milhabitantes, com dados oriundos de diversas fontes. O censo do IBGE/2000 estimou 56 mil habitantes. O Censo Familiar do Complexo da Rocinha, realizado pelo governo do estado e divulgados no ano de 2009, em parceria com as ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), divulgaram um número aproximado de 100 mil habitantes, enquanto as associações de moradores locais estimam que a...
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