Jorge amado

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 2 (339 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 13 de julho de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
Aproveitando a época festiva e o ano propício, a resenha da vez é sobre O País do Carnaval, primeiro livro de Jorge Amado que completa 80 anos de publicação. Se a imprensa “se esquecer” desse fato,não leve a mal. É que 80 não é número cabalístico, esse não foi seu livro mais famoso, e em 2012 será o centenário de nascimento do autor – ninguém vai querer desgastar o nome que vai render tantoassunto e grana ano que vem.
------
O País do Carnaval é um romance que segue o mesmo cronograma do povo brasileiro: tudo começa e termina com a chegada do Carnaval. Mas não se deixe levar pelo título,este não é um retrato de época que se deixa seduzir por marchinhas e máscaras. Jorge Amado transforma a festa mais popular do país em uma alegoria para a situação social de seu tempo, que assim como osblocos de rua, são cheios de força, vitalidade e nenhuma direção muito bem definida.
------
O livro se desenvolve com muita fluidez, recheado com blagues e cinismo dos personagens que procuram osentido da vida, seja na religião, no amor, no materialismo, na filosofia, na fama, na riqueza, na sensualidade ou no vício. Todos duvidam, todos perguntam, todos falham, todos vivem. É um livro semmuita profundidade que tem a virtude de, ainda assim, estar atento aos dilemas que se abatiam entre as camadas mais baixas da sociedade. De fato, já é perceptível nessa primeira obra seu viésregionalista, embora o romance seja contado do ponto de vista da “burguesia” (desculpem, não gosto desse termo mas acho que dizer classe média não faz sentido no contexto), ele perpassa o cotidiano de homenscomuns de Salvador, incorpora-os na história de forma secundária e fundamental para o contraponto das pretensões e vanidades dos intelectuais, chegando a ridicularizá-los nas entrelinhas. O regionalismotambém é sentido no uso de gírias e de expressões regionalistas, que representariam para Paulo Rigger a sensação do “brasileirismo”, e para o próprio autor o cuidado com a retratação da realidade...
tracking img