Incidente em antares

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  • Publicado : 12 de outubro de 2012
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A cidade de Antares não consta nos mapas, apenas São Borja é digna de nota, nas paragens do Alto Uruguai. Mas, há documentos comprovadores de sua existência. Seus ilustres moradores têm repetidamente se manifestado sobre a injustiça. O prefeito, os vereadores e até o padre se dirigiram ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para protestar contra a acintosa omissão.

Apesar daausência nos mapas, Antares se encontra à margem esquerda do Rio Uruguai. Acabou nas manchetes de jornais pelo incidente, ocorrido numa sexta-feira 13 de dezembro de 1963 que a tornou notícia da noite para o dia; fama efêmera e ambígua que não sensibilizou os cartógrafos.

O documento mais antigo, sobre a existência de Antares, se encontra no livro de Gaston Gontran, um naturalista francês que,visitando o local, encontrou com Francisco Vacariano, proprietário das terras. Vacariano herdou as sesmarias do avô que logo se apossou de algumas léguas pertencentes a outros estancieiros vizinhos. No texto, consta que o gado, pertencente a Vacariano, descende dos bois e vacas roubados por seu pai, na Argentina. O guia contou a Gontran tudo isso, pedindo discrição absoluta, porque Vacariano é homemviolento e vingativo.

Como hospedeiro, no entanto, foi muito gentil. Gaston por cortesia lhe indicou, no céu, a estrela de Antares. Vacariano achou o nome bonito e apropriado para um povoado, melhor do que "Povinho da Caveira", dado ao lugar em que o francês se encontrava. Pede a Gaston que escreva Antares num pedaço de papel e agradece.

O segundo documento, que se poderia chamar de pré-históriade Antares, é uma carta do Padre Juan Bautista Otero, mencionando sua estada na casa do Senhor Francisco Bacariano, pai de uma dezena de filhos naturais com várias índias e que não os batiza, nem os legitima. O sacerdote pergunta a Bacariano se ele não deseja casar-se e este menciona que vai se casar em Alegrete com Angélica. De fato, Francisco Vacariano se casa e com a esposa legítima tem 7descendentes, entre homens e mulheres. O primeiro filho se chama Antônio Maria. Na Guerra dos Farrapos, Vacariano quase perde tudo o que tem.

Em 25 de maio de 1853, "Povinho da Caveira" é elevado a vila e recebe oficialmente o nome de Antares. Durante mais de 10 anos, Vacariano é autoridade na vila, considerada município de São Borja.

No verão de 1860, Francisco Vacariano tomou conhecimento deque Anacleto Campolargo, rico criador de gado, natural de Uruguaiana, deseja comprar terra nas proximidades de Antares. Vacariano faz tudo para que os negócios de Campolargo não se concretizem na região, não quer saber de intrusos por ali. Mas, Campolargo consegue adquirir as terras e constrói uma casa de alvenaria. De pronto, as duas famílias se tornam rivais.

Campolargo consegue o respeito dosmoradores e é o único a enfrentar Vacariano, o "Chico Vaca" , como é chamado, pelas costas, pelos inimigos. Vacariano é agressivo, autoritário, sem o menor tato. Antonio Campolargo é o oposto. É homem do murmúrio, do falar macio, modulando a voz de acordo com a conveniência. Organiza, na vila, o Partido Conservador e, Vacariano, sem perda de tempo, cria o Partido Liberal. Campolargos e Vacarianosvão tocando a vida como criadores de gado e de cavalos na região.

Anacleto Campolargo consegue separar Antares de São Borja e elevá-la à categoria de cidade, no dia 15 de maio de 1878. Chico Vacariano, com quase 80 anos, cai morto no dia da celebração desse grande evento, desapontado porque seu inimigo conseguiu concretizar seu velho projeto. Anacleto transfere os festejos para dezembro domesmo ano e, nesta data, falece por ter sido mordido por cobra venenosa.

Antares, em 1879, começa com chefes novos: Benjamin Campolargo que perdeu o olho, num combate corpo a corpo, na Guerra do Paraguai e Antão Vacariano, o maneta, cuja mão perdeu em solo paraguaio. De vingança em vingança, Campolargos e Vacarianos vão se matando. Os Campolargo vão por algum tempo para a Argentina, retornando...
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