Hipertensao

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Hipertensao

Hipertensão arterial no idoso: peculiaridades na fisiopatologia, no diagnóstico e no tratamento
Roberto Dischinger Miranda, Tatiana Caccese Perrotti, Vera Regina Bellinazzi, Thaísa Maria Nóbrega, Maysa Seabra Cendoroglo, João Toniolo Neto
Resumo A HAS em idosos está associada a um importante aumento nos eventos cardiovasculares com conseqüente diminuição da sobrevida e piora naqualidade de vida. Inúmeros estudos demonstraram os benefícios do tratamento da HAS na população desta faixa etária, com redução significativa dos eventos cardiovasculares e melhora na qualidade de vida. Tanto o tratamento medicamentoso como o não-farmacológico devem ser empregados, sempre considerando o indivíduo com suas co-morbidades e expectativas. As modificações de estilo de vida podem terótima aderência, desde que bem orientadas, especialmente através de equipe multidisciplinar. O uso da terapia farmacológica combinada (duas drogas no mesmo comprimido) é uma necessidade para os idosos, melhorando a aderência e a eficácia anti-hipertensiva e diminuindo os efeitos colaterais. Existem vários casos não contemplados nos grandes ensaios, por exemplo os idosos frágeis ou os muito idosos, emque o tratamento deve ser feito com bom senso e de forma individualizada.

Palavras-chave: Idoso; Hipertensão arterial; Tratamento anti-hipertensivo; Hipotensão ortostática.
Recebido: 16/04/02 – Aceito: 22/06/02

Rev Bras Hipertens 9: 293-300, 2002 A Organização Mundial da Saúde considera idoso, nos países em desenvolvimento, os indivíduos com 60 anos ou mais. As alterações próprias doenvelhecimento tornam o indivíduo mais propenso ao desenvolvimento de HAS, sendo esta a principal doença crônica nessa população. Estudo epidemiológico com idosos residentes na cidade de São Paulo encontrou prevalência de HAS de 62%, dos quais mais de 60% eram portadores de hipertensão sistólica isolada (HSI). A HAS é o mais importante fator de risco cardiovascular modificável, estando associada acondições bastante freqüentes em idosos, como doença arterial coronária (DAC), doença cerebrovascular (DCV), insuficiência cardíaca (IC), doença renal terminal, doença vascular periférica, hipertrofia ventricular esquerda (HVE) e disfunção diastólica. Há aproximadamente uma

Introdução
Com o aumento da expectativa de vida em todo o mundo observou-se uma maior incidência e prevalência de certasdoenças, particularmente as doenças cardiovasculares. No Brasil, as doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de 250.000 mortes por ano, a hipertensão arterial sistêmica (HAS) participa de quase metade delas.

Correspondência: Roberto Dischinger Miranda R. Pedro de Toledo, 399 CEP 04039-031 – São Paulo, SP E-mail: roberto.miranda@uol.com.br

Miranda RD, Perrotti TC, Bellinazzi VR, NóbregaTM, Cendoroglo MS, Toniolo Neto J

Rev Bras Hipertens vol 9(3): julho/setembro de 2002

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década existia dúvida se a elevação da pressão arterial sistólica (PAS) ou diastólica (PAD), ou ambas, no idoso, deveria ser tratada. Porém foi demonstrado, por vários estudos, que o tratamento anti-hipertensivo reduz o risco dessas complicações catastróficas. Apesar disso, em outro estudoepidemiológico na cidade de São Paulo, apenas 10% dos idosos hipertensos estavam com sua pressão controlada, e em cerca de 10% dos idosos o diagnóstico de HAS somente é feito após um evento clínico decorrente da pressão elevada por vários anos, tais como acidente vascular cerebral (AVC) e infarto agudo do miocárdio (IAM).

e a função ventricular. Quando a complacência está diminuída, ocorre uma maiorvariação de pressão para um mesmo volume ejetado. É o que acontece com o enrijecimento aórtico que, para um mesmo volume ejetado pelo ventrículo esquerdo, ocorre uma variação maior da pressão arterial sistólica.

Alterações associadas ao envelhecimento
O diâmetro aórtico aumenta em 15% a 35% dos 20 aos 80 anos de idade. Histologicamente ocorre uma distorção da orientação laminar das fibras...
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