Hinduismo

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  • Publicado : 14 de maio de 2012
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COMPREENDENDO O HINDUÍSMO
O primeiro passo para um diálogo com os hindus
Edison Samraj

Se você alguma vez quiser ter um diálogo intelectualmente estimulante, escolha a Índia. Esqueçase do pó, da sujeira e das multidões. Viaje num trem, primeira classe. Enquanto o trem ganha velocidade, volte-se para um vizinho. Pode ser um homem de negócios, professor de faculdade, político ou não importaquem. Se for hindu, você encontrou a pessoa certa. Ele pode prender sua atenção a viagem toda, falando da vida, morte, do que vem depois, sobre misticismo e a origem da ciência nuclear em escritos hindus antigos. No fim da viagem, sua jornada terá escapado do enfado e abrangido o nada. Hinduísmo é tudo. Hinduísmo é nada. Não o tome literalmente. Tome-o filosoficamente. Uma das antigas religiões domundo, seus adeptos aproximam-se de 800 milhões e vivem ao redor do mundo. O hinduísmo não é simplesmente uma religião; é um sistema complexo de crenças forjado num sistema de acomodação; é um oceano de crenças que ora são coerentes, ora complementares, ora contraditórias. Pode não ter uma resposta para todas as perguntas, mas certamente tem uma pergunta para cada resposta. Para o cristão, issocria um problema fundamental. Como comunica um cristão suas crenças e valores a um hindu? Não é fácil, mas podemos tentar. Para começar, precisamos compreender cinco questões básicas antes de podermos decifrar o enigma da mente hindu.

Teria o mundo evoluído? Os hindus crêem que o mundo evoluiu através de estágios sucessivos. Primeiro veio a matéria. Depois veio a consciência, a inteligência efinalmente a espiritualidade. Num extremo do espectro cósmico há matéria pura e, no outro, espírito puro. No meio está o tempo. Na matéria, o espírito está dormente. A riqueza de uma determinada existência depende da proporção de espírito na matéria. Quanto mais alto o espírito, tanto menos matéria e tanto mais rica a experiência. O inverso também é verdade. O espírito aparece em muitas formas: comovida elementar nos vegetais, como consciência nos animais, como inteligência nos seres humanos, e como bemaventurança no espírito supremo. Assim há uma progressão da matéria para a vida, da vida para a consciência, da consciência para a razão, e da razão para a perfeição espiritual. Em relação ao espírito supremo, um ser humano está mais próximo dele que um animal, um animal do que uma planta, umaplanta do que uma pedra. Do mesmo modo um santo está mais próximo do ser supremo que um depravado. Assim, o universo é um vasto anfiteatro no qual há uma luta colossal entre espírito e matéria, dando origem a várias ordens de ser, desde a pedra sem vida ao ser supremo onisciente.

Como é organizada a sociedade? O hinduísmo define o sistema social ideal como varnadharma – um conceito que chegouà Índia com os arianos vindos do centro da Europa, muitos anos antes da era cristã. Varna significa cor e dharma significa dever, e o estofo social urdido pelos arianos primitivos no norte da Índia finalmente deu origem ao sistema de castas, tão fundamental para a compreensão do hinduísmo. Os arianos louros dividiram a sociedade em quatro castas, segundo os deveres efetuados por cada grupo numasociedade. Aqueles que não se enquadravam em nenhuma destas castas e sub-castas de cor e dever tornaram-se os intocáveis da sociedade. A contradição interna do sistema de castas tem sido uma fonte perene de tensão dentro da sociedade hindu e o ponto de contato para outras religiões que parecem ensinar a dignidade do ser humano sem qualquer distinção. Mas o ponto de contato nem sempre tem sido bemsucedido por causa do poder esmagador da casta em resistir a quaisquer pretensões contrárias. Como compreendemos a salvação? Em terceiro lugar, os hindus afirmam que a vida é controlada pelo princípio de progressão espiritual, tendo moksha – liberação ou salvação – como objetivo final. Para os hindus, moksha não é somente liberação da servidão da carne, mas também das limitações da finitude....
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