Gastronomia

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  • Publicado : 31 de outubro de 2011
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REGIÃO NORDESTE Maranhão • Piauí • Ceará • Rio Grande do Norte • Paraíba • Pernambuco • Bahia • Sergipe • Alagoas



Gostosamente variada e tropicalmente colorida, tem suas raízes mergulhadas no tempo da colonização, quando aqui chegaram os primeiros portugueses trazendo seus hábitos alimentares, presentes nas sopas aceboladas, nas mais diferentes maneiras de preparar a carne, nos peixesquase nadando em alourado azeite de oliva, nas verduras frescas ou em conserva, no vinho feito em casa, nas compotas de frutas, nos queijos, nos licores feitos em mosteiros, nos bolos de receitas tradicionais. Trouxeram seus hábitos alimentares da mesma maneira como conduziram, na sua bagagem sentimental, seus hábitos e costumes, seus folguedos populares e sua música, suas crendices e superstições,suas canções e sua saudade, sua religiosidade e sua mobilidade aventureira através de mares e continentes que descobriram ou ajudaram a descobrir e a colonizar, sem preconceitos raciais, juntando ao seu, nas noites quentes do trópico, o sangue dos nativos numa miscigenação que, entre nós, foi responsável pela mulata, faceira, sensual, bonita, nos babados e no decote generoso dos vestidos dechita.





Maravilhados, deslumbrados, estupefatos ficaram os portugueses logo que aqui chegaram,respirando um ar misturado com o perfume de milhares de flores silvestres, comendo frutas exóticas e deliciosas, pescando outros peixes, caçando outras caças, vivendo em função de uma fauna e de uma flora miraculosas, a ponto de Pero Vaz de Caminha mandar dizer a seu rei e senhor, em carta que setornou célebre como verdadeiro hino entoado à beleza e ao esplendor da Terra de Vera Cruz, que a terra era "muy chã e muy fremoza” e nela se plantando tudo dá". Os portugueses não se cansavam de apreciar a beleza da natureza tropical, os rios largos de águas mansas e sinuosas onde viviam os mais estranhos peixes que se possa imaginar, a caça abundante e variada, as frutas diferentes e maisgostosas que as de sua terra. Sólidos homens, membros da tripulação de Pedro Álvares Cabral estavam fartos das comidas de bordo, consumidas durante a longa e aventurosa travessia e, depois que fizeram o reconhecimento da região, começaram logo a aprender com os nativos quais as frutas e quais as caças que podiam usar na alimentação. Foi uma transição alimentar das mais radicais.







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Tiveram que substituir as frutas, peixes e carnes que comiam há séculos por novas frutas, outros peixes e diferentes carnes do trópico luxuriante. Aprenderam, por força e em conseqüência dessa transição alimentar, com os indígenas, os diversos e estranhos usos da farinha de mandioca,participando da feijoada (com toucinho, charque, jerimum, maxixe e couve), farofa branca (feita com água, sal,cebola e coentro), farofa de batata-doce (para se comer com charque assada na brasa), farofa de jerimum (para se comer com carne-de-sol), tapioca, cuscuz de mandioca, beiju, pirão de galinha, pirão de ovo e de peixe, do bode do nosso rurícola,do pedaço de rapadura e outro de carne-seca, quando trabalha longe de casa, da mistura com o mel de engenho como sobremesa na zona da mata nordestina.Quando começou a faltar gente para cuidar da lavoura e do gado (os indígenas, em conseqüência de uma série de abusos sofridos da parte de portugueses de maus antecedentes,foram fugindo do litoral), os colonizadores começaram a comprar escravos africanos, que atravessaram o Atlântico no bojo imundo dos navios negreiros para construir a grandeza econômica deste país, como figuras de primeira grandeza queforam dos ciclos do ouro, açúcar, cacau, gado, algodão e pedras preciosas.



Com seu banzo, com sua tristeza, os escravos africanos, também trouxeram consigo seus deuses, sua música, suas crendices, seus hábitos alimentares, seu paladar apimentado e nos legaram muitas comidas gostosas como abará, acarajé, bobó, caruru, cuxá, efó, munguzá, muqueca, quibebe, sabongo, vatapá, xinxim e...
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