Freud e piaget: um encontro sempre possível

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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO - COGEAE
CURSO DE PÖS-GRADUAÇÃO "LATO-SENSU" - PSICOPEDAGOGIA
DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO DO RACIOCÍNIO II
PROFESSORA: MARLENE SESS













"FREUD E PIAGET: UM ENCONTRO SEMPRE POSSÍVEL"












SÃO PAULO, JULHO DE 1995














"A PEDRA FILOSOFAL LATENTE, APRISIONADA NA MATÉRIA,
PRECISA DOSESFORÇOS DEVOTADOS DO EGO CONSCIENTE PARA
SE REALIZAR. JUNTOS ELES TRABALHAM NO GRANDE MAGISTÉRIO
PARA CRIAR MAIS E MAIS CONSCIÊNCIA NO UNIVERSO"

(E. EDINGER)













A G R A D E C I M E N T O S

























O TERROR



E havia luz demais para os seus olhos. De repente um repuxão; ajeitavam-no mas ele não sabia; só tinha mesmo era oterror de rostos inclinados para o seu. Ele não sabia de nada. E não podia mexer-se livremente. As vozes que para ele eram trovões, só uma voz era cantante: ele se banhava nela. Mas logo em seguida era depositado e vinha o terror e ele gritava entre as grades e viu cores que depois ele entendeu que eram azuis. O azul o molestava e ele chorava. E o terror das cólicas. Abriam-lhe a boca edepositavam coisas ruins na boca, ele engolia. Quando era a voz cantante que lhe dava coisas ruins, ele suportava melhor. Mas era logo depositado entre as grades. Sombras gigantescas rodeavam-no. E então ele gritava. A mínima luz de tudo isso é que ele acabava de nascer. Tinha cinco dias de nascido.
Depois de mais velho ouviu sem entender: "Este menino já  não dá  mais trabalho, mas quando nasceu davachoros e urros. Agora felizmente é mais fácil de criá-lo". Não, não era fácil, nunca seria fácil. O nascimento era a morte de um ser uno se dividindo em dois solitários. Agora parecia fácil porque ele aprendera a manejar o seu terror secreto que duraria até a morte. Terror de estar na terra, com uma saudade do céu.





(Clarice Lispector in: A DESCOBERTA DO MUNDO)I N T R O D U Z I N D O...

Começo este trabalho com a crônica "O TERROR", pois entendo que ela retrata bem a nossa situação de "estar-no-mundo, estar na terra com uma saudades do céu”.
O nosso mundo de perfeição, completude e onipotência, a partir do nascimento, começa a se transformar, a cada fase, seja ela: sensório-motora, oral, edípica, pré-operatória, operatória concreta,adolescência, etc. - temos que elaborar tanto os ganhos como as perdas e faltas para podermos, então, nos constituir enquanto seres humanos.
Sinto um certo "terror" em fazer este trabalho, na medida em que, me parece uma missão quase impossível falar de PIAGET E FREUD, ao mesmo tempo. Articular suas idéias e seus pressupostos, parece que não estou à altura de implementar este trabalho, contudo,percebo que: mais do que a obrigação de apresentar uma produção de final de curso (afinal tantas coisas foram lidas, faladas, refletidas em classe, como não produzir?) sei que o trabalho maior é lidar com a onipotência (já que escrever não é tão fácil assim), com os limites (pois será preciso fazer recortes).
Mesmo na forma de um ensaio, (contendo cópias e reflexões), me vejo na obrigação deescrever sobre o meu percurso até aqui, confessando que estou numa fase muito mais empírica do que abstrata neste campo do saber. Estou no início, lançando-me à ação, aprofundando meus conhecimentos nestas teorias, tentando, a partir da prática, elaborá-las melhor, sinto ainda uma certa indiferenciação, um certo caos e, por estar sentindo tudo isso, eu já sei que estou falando tanto de Piaget como deFreud; no que diz respeito a todo começo...
Talvez o terror não seja tão medonho, se pudermos olhá-lo de outro modo; talvez seja ele o promotor da ação e do desejo, talvez seja ele a formar e consolidar o sujeito epistêmico e o sujeito desejante, talvez seja a partir dele que vamos construir todo o conhecimento e toda a emoção de viver.
Talvez...








A R T I C U L A N D O ......
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